Carnaval da Mangueira vai homenagear heróis negros desconhecidos

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Mestre-sala e porta-bandeira Squel e Matheus - Foto: Marcos Ramos
Mestre-sala e porta-bandeira Squel e Matheus - Foto: Marcos Ramos

A Mangueira prepara um Carnaval em homenagem aos heróis negros desconhecidos, ou pouco conhecidos, que fizeram história no Brasil mas não aparecem nos livros oficiais. A notícia chega neste Dia da Consciência Negra, 20 de novembro.

A escola verde-rosa do Rio de Janeiro terá personalidades nacionais representando esse lado B da história brasileira.

Alcione vai representar Dandara, mulher de Zumbi dos Palmares, um dos pioneiros na resistência contra a escravidão, líder do Quilombo dos Palmares, que também terá espaço reservado na escola.

Na visão do carnavalesco Leandro Vieira, Dandara ficou à sombra da Princesa Isabel, reconhecida como heroína pela assinatura da Lei Áurea.

A sambista Leci Brandão vai representar Luísa Mahin, que nasceu na Costa da Mina, na África, no início do século 19 e foi líder do levante dos negros malês em Salvador. Ela esteve envolvida na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a então Província da Bahia na época.

Luisa Mahin participou da Revolta dos Malês (1835) e da Sabinada (1837-1838). Caso o levante dos malês tivesse sido vitorioso, Luísa teria sido reconhecida como Rainha da Bahia.

O casal Mariana Crioula e Manoel Congo, líderes de uma revolta que culminou com a fuga de mais de 300 escravos de Vassouras serão outros representados na avenida.

Esperança Garcia

O mundo vai conhecer ainda a história de Esperança Garcia, uma escrava piauiense que em 1770 escreveu uma das mais antigas cartas de denúncia de maus-tratos contra os negros que se tem registro no Brasil.

O texto, entregue ao governador da província do Piauí, resultou na libertação de inúmeros escravos e fez com que essa mulher, após a morte, recebesse o título de advogada pela OAB do Piauí.

“Por ser uma pessoa sábia, fazia petições ao governador do Piauí exigindo a libertação de escravos. E o governador libertou várias pessoas por isso. A história é tão forte que, agora, em 2017, a comunidade negra do Piauí apresentou para a OAB do estado uma pesquisa consistente e solicitou o título de advogada a Esperança Garcia. E eles concederam, post mortem. Naquela tempo não existia no Brasil faculdade de Direito. É assim, então, que ela passou a ser a advogada mais antiga do país”, lembra o presidente da ONG Educafro, Frei David.

Outro homenageado será Luiz Gama, advogado, jornalista e poeta abolicionista.

“É muito pertinente quando a Mangueira se coloca na condição de narrar a história não contada das lutas negras. A minha intenção, com isso, é aproveitar esse momento de discussão sobre a importância da representatividade para apresentar ao grande público os personagens que não tiveram a notoriedade que deveriam ter. O que o enredo quer fazer é despertar a consciência”, afirma o carnavalesco Leandro.

A Mangueira também deverá fazer uma homenagem a Marielle Franco, a vereadora e ativista assassinada em março no Rio. Como será? Isso ainda é segredo.

Com informações do Extra

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