Pai veste batina e faz cerimônia de casamento da própria filha

Raimundo entrando com Rebeca e celebrando o casamento - Fotos: Vinícios Diniz / Bruno Yacub / Arquivo pessoalRaimundo entrando com Rebeca e celebrando o casamento - Fotos: Vinícios Diniz / Bruno Yacub / Arquivo pessoal

Emoção no município de Milagres, no Cariri cearense. Um pai entrou com a filha na igreja, depois vestiu a batina e realizou a cerimônia de casamento dela.

A cerimônia, no último sábado, 8, foi na Paróquia de Nossa Senhora dos Milagres.

O marceneiro Raimundo Tarcísio Cabral, de 64 anos – ordenado diácono há quase três anos – fez a união matrimonial da filha caçula, Rebeca Sampaio, de 29 anos.

O fato inusitado é permitido pela Igreja Católica.

Pode sim

O diácono é um título de terceiro grau da Ordem do Sacramento, abaixo de bispos e padres. Como parte do clero, eles são responsáveis por trabalhos administrativos nas dioceses, mas também podem realizar cerimônias como batismos e casamentos.

Em caso de solteiros e viúvos, o diácono deve permanecer celibatário pelo resto da vida, assim como os padres. Porém, muitos diáconos permanentes, como Raimundo, foram ordenados após terem se casado e constituído família.

A cerimônia

Na cerimônia, o marceneiro entrou na igreja cumprindo o ritual de um pai, levando Rebeca até o altar.

Em seguida ele se vestiu como sacerdote.

Após a troca de alianças, Raimundo tirou a batina e voltou à condição de patriarca da família.

“É sempre um momento de muita emoção, de a gente até achar que não tem o merecimento, que jamais sonharia com um momento desse. É uma graça muito grande. Momento de louvar e agradecer a Deus”, disse Raimundo ao Diário Do Nordeste.  

Os noivos

Educadora Física, Rebeca conheceu Danilo Alvar Araújo, 32, na época da rede social Orkut.

Ela nasceu em Brejo Santo e ele é natural de Barbalha. Os dois namoraram por sete anos e sete meses e, há três anos, ficaram noivos.

A noiva falou da emoção de percorrer a Igreja de braços dados com o pai para, em seguida, encontrá-lo no altar como celebrante.

“A emoção foi diferente. Todos os convidados estavam com uma expectativa muito grande. Foi muito marcante, pois ele me entregou ao noivo e foi se vestir para celebrar o casamento. Aquele momento ficou marcado para o resto da minha vida. Um momento inesquecível”, define Rebeca.

O diácono

Nascido em uma família cristã, Raimundo se afastou da Igreja Católica na juventude e passou a frequentar igrejas evangélicas.

Só voltou ao catolicismo aos 34 anos, quando era espírita kardecista e já tinha dez anos de casado.

No grupo do Encontro de Casais com Cristo (ECC), se reconciliou com a doutrina. “Foi minha conversão”, lembra.

De volta à Igreja Católica, começou a fazer parte das pastorais e fez trabalho missionário em Brejo Santo.

“Aí fui convidado para ser ministro da eucaristia pelo monsenhor Dermival Gondim. Com algum tempo, me convidou para ser diácono permanente, mas não estava preparado”, lembra.

Dez anos depois, ele recebeu o mesmo convite e entrou no Seminário São José, em Crato. “Já estava consciente de minha missão”, afirma.

Após seis anos de seminário, Raimundo foi ordenado no dia 23 de abril de 2017. De lá para cá, já realizou casamentos e batizados em Brejo Santo.

Ele é casado há 39 anos com Goreth Cruz Cabral, com quem tem três filhos, sendo Rebeca a caçula.

Foto: Vinícios Diniz/Arquivo pessoal

Foto: Vinícios Diniz/Arquivo pessoal

Foto: Bruno Yacub/Arquivo pessoal

Foto: Bruno Yacub/Arquivo pessoal

Com informações do DiárioDoNordeste

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