Enfermeira brasileira viaja países pobres cuidando de crianças com HIV

Uma enfermeira brasileira está levando, voluntariamente, esperança e cuidados a crianças com HIV que vivem em países pobres.
Natural de São Caetano do Sul, no Grande ABC, em São Paulo, Rebecca Alethéia, de 34 anos, viaja o mundo desde 2017.
Mas ela conta que a paixão por ajudar começou bem antes, em 2009, quando atuava com crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS, no primeiro emprego dela, na cidade vizinha de Mauá.
Direto da África, onde se encontra atualmente, ela disse ao SóNotíciaBoa que já perdeu a conta de quantas crianças atendeu.
“Estou viajando como enfermeira ao redor do mundo há 3 anos. Passei pelo Tadjiquistão, Moçambique e agora estou no Malawi auxiliando em um projeto da Community Forum (COFO) juntamente com a Worldpackers”, disse.
Súplicas
Mestre em ciências da Saúde, com graduação em enfermagem e especialista em Infectologia, Rebecca ouve das crianças verdadeiras súplicas pela cura de pais e avós. Entre as histórias que mais tocaram o coração da brasileira está a da menina Aline – nome fictício para preservar a criança.
Depois de acompanhar um evento de prevenção de HIV/Aids em uma escola a garota perguntou: “se eu nunca tive relação sexual, nunca usei droga, como essa doença veio parar no meu corpo?”
A pergunta fez Rebecca refletir sobre a realidade da mulher diagnosticada com HIV.
“Ser mulher com HIV no mundo… [no qual] as mulheres são criadas para se casarem, o estigma, o preconceito, é muito alto quando se trata de HIV. É pensar que provavelmente essa garota não se case e a família não receba o seu dote, é provável que essa menina escolha a morte do que viver”, afirma.
Ela conta que outro grande desafio “tem sido trabalhar com o casamento prematuro, e a garantia de que meninas não abandonem a escolas”.
Rebecca explica que trabalhar com HIV/Aids vai além de pensar nas 3 vertentes: prevenção, controle e no tratamento.
“A revelação diagnóstica sempre fez parte do processo, uma vez que as crianças precisam saber o seu diagnóstico para aderirem o tratamento e prevenir uma adolescência menos traumática”, explica.
Do próprio bolso
Como voluntária, Rebecca vive um dia após o outro.
“Na atual viagem, utilizo dos meus recursos próprios. Tenho que arcar com tudo, transporte… porém, como estou oferecendo meu trabalho, recebo alimentação e hospedagem em troca, um jeito de ambos se ajudarem”, afirma.
Perguntamos por que ela decidiu viajar o mundo para ajudar pessoas nessa situação?
“Uma mulher negra não sai em vão no mundo pra ajudar, nos nascemos ajudando. Nossas comunidades têm sido assoladas diariamente por crimes, doenças, falta de acesso aos serviços públicos, recursos financeiros… Fica quase que impossível transitar por esse mundo e não colocar a mão na massa, não ser agente de mudança”, diz.
E ela cita um pensamento da filósofa Angela Davis: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”.
“A minha árvore já tem raiz, os frutos estão caindo e germinado em outro quintal, é por este motivo que estou no mundo”, afirma.
Volta ao Brasil
Rebecca Alethéia segue no Malawi. Ela está na África desde janeiro de 2019 e volta ao Brasil no dia 23 de abril.
Perguntamos se ao retornar ela pretende cuidar de crianças brasileiras. Ela respondeu que gostaria, mas disse volta sem emprego.
“Não sei do meu futuro, por hora nem se regressarei trabalhando no Brasil… Não posso prever… Estou voltando, mas isso não quer dizer que em 2 ou 3 meses eu arranje um trabalho pelo mundo”, concluiu.
Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa
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