UnB cria aplicativo que aproxima quem precisa de quem pode doar: covid

Foto: divulgação/Doarti
Foto: divulgação/Doarti

Um site e um aplicativo foram criados para facilitar doações em tempos de covid-19. O projeto Doarti, desenvolvido na UnB, Universidade de Brasíliaaproxima quem precisa, de quem pode doar.

As ferramentas foram criadas por uma equipe de 16 pessoas, formada por professores da Faculdade UnB Gama (FGA), ex-alunos do curso de Engenharia de Software da Universidade, profissionais do mercado e pela empresa Main Class e da Rede Solidária Anjos do Amanhã – programa de voluntariado da Vara da Infância – para aumentar o fluxo de doações no Distrito Federal.

George Marsicano, docente da FGA que coordena o projeto Doarti, disse que a ideia é facilitar e potencializar a relação entre sociedade e entidades filantrópicas, formais ou não, para ajudar a dar maior visibilidade às ações de doação.

“Conversando com diversas pessoas que atuam com doações, percebemos que várias delas não possuem CNPJ, como, por exemplo, grupos de pastorais e de voluntários de centros espíritas. Elas estão ligadas a alguma entidade formal, mas o grupo, em si, não é formal. E existem várias outras situações”, explicou Marsicano.

Diferenças

Aplicativo e site serão complementares um ao outro. O primeiro será direcionado a doadores e entidades. O segundo, a entidades.

Na primeira versão do app Doarti estarão disponíveis funcionalidades como cadastro de doadores, consulta de entidades que possuem ações de doações ativas, envio de notificação aos doadores sempre que uma nova ação for registrada, tipos de doações a serem feitas, controle de entrega e recebimento de doações, entre outras.

No site estarão todas as informações e critérios que as entidades deverão cumprir para participarem dessa iniciativa, assim como a funcionalidade cadastro e atualização dos dados. Além disso, a página terá os dados da equipe envolvida no projeto, notícias e outras informações pertinentes.

O lançamento desta ferramenta estava previsto para esta terça, 21. Já o app, está previsto para ser lançado dia 27 de abril e poderá ser baixado na Play Store e na Apple Store.

Proteção

Para evitar que instituições falsas se aproveitem da iniciativa, o projeto prevê algumas medidas.

Primeiro, estão estabelecendo critérios, com o apoio da Vara da Infância e da Juventude, para comprovar a existência e a atuação real da entidade em questão.

Além disso, pretendem verificar a chancela da VIJ de várias entidades de acolhimento que já são formalmente acompanhadas pelo órgão.

Por fim, algumas pessoas da equipe do Doarti serão responsáveis pela verificação das informações prestadas pelas entidades que se cadastrarem.

“Qualquer entidade beneficente poderá se cadastrar, mas caso não preencha os requisitos necessários, não será ativada no app”, esclarece o coordenador do projeto.

Como funciona

Neste primeiro momento, site e aplicativo permitirão doações de produtos como alimentos, materiais de limpeza e higiene, roupas (novas ou usadas).

Em uma próxima etapa, ambos poderão abraçar também doação em dinheiro.

“Atualmente, existem duas situações básicas. Na primeira, a pessoa quer fazer uma doação e ela mesma vai levar seus produtos até a entidade. Nesse caso, ela vai utilizar o app simplesmente para achar quem está precisando do produto que ele quer doar. Na segunda situação, a pessoa quer doar e precisa de alguém para buscar o produto em sua residência, ou outro local. Nesse caso, depois de encontrada e selecionada a entidade para a qual se deseja doar, a pessoa vai cadastrar a sua doação no app (quantidade, tipo, etc.).”

“O app envia uma notificação para a entidade informando que há uma nova doação disponível. Ela se organiza para fazer a retirada, e por fim, registra no app a doação concretizada. Com isso, doador e entidade passam a ver suas doações feitas, recebidas ou em situação ‘aguardando retirada’”, detalha Marsicano.

A ideia

A iniciativa foi pensada por George Marsicano quando ele soube que houve grande queda nas doações no Distrito Federal, com o surgimento do novo coronavírus.

“Os meios de comunicação noticiaram que as entidades beneficentes tiveram um decréscimo de quase 80% em suas doações. Além disso, vimos que as várias ações (campanhas) que existem na cidade, estão pulverizadas e em meios digitais distintos, o que, por vezes, dificulta ao potencial doador encontrar uma ação de doação que esteja perto dele ou que esteja recebendo algum produto que ele possui disponível em sua casa. Com isso, doadores e entidades não se encontram”, conta o professor.

Marsicano disse que o projeto foi desenvolvido pela equipe sem custo algum para a Universidade nem para a sociedade. E agradeceu:

“Tenho felicidade e gratidão gigantesca por estar em condições de fazer isso ao lado de pessoas tão especiais, quanto ex-alunos, professores e pessoas da iniciativa privada. Sem eles, isso não seria possível”, concluiu.

Com informações do UnBNotícias

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