Tratamento inédito corrige pé torto congênito de adulto sem cirurgia

Antes e depois de um paciente - Foto: reprodução / IGESDF
Antes e depois de um paciente - Foto: reprodução / IGESDF

Esperança para adultos que têm pé torto congênito. Um médico ortopedista brasileiro desenvolveu um tratamento que consegue corrigir o problema de adultos sem cirurgia.

Quatro pacientes tratados pelo Dr. Davi Haje conseguiram calçar tênis pela primeira vez na vida.

O tratamento é inédito no mundo e foi publicado no mês passado na revista científica  internacional JOCR– Journal Of Othopedic Case Reports.

O Dr. Davi Haje trabalha no Hospital de Base de Brasília e usa o método Ponseti, que consiste no uso de gesso, trocado toda semana, para remodelar os pés.

“Este sucesso terapêutico único em um paciente adulto com pé torto bilateral idiopático negligenciado mostrou que o método de Ponseti é uma boa opção de tratamento”, diz a publicação científica.

Até agora acreditava-se que o método só funcionava em crianças com menos de 1 ano de vida, por isso tantos adultos convivem há anos com o problema.

Segundo o ortopedista, os resultados com essa técnica são mais satisfatórios em relação à correção com cirurgia.

E o tratamento com gesso, além de muito menos invasivo, leva cerca de 1 ano.

Primeiro caso

O Dr. Davi Haje teve a ideia de aplicar o método em adultos depois de tratamentos que fez em crianças e adolescentes.

“Eu fazia esse tratamento em crianças e dava certo, comecei a fazer em crianças com idades mais avançadas e adolescentes, com sucesso. Então, pensei, porque não tentar em um adulto? Tentei e deu certo. Comparando os resultados com pacientes operados, percebi que essa técnica é muito melhor. É sem cicatriz, recuperação mais rápida e corrige uma deformidade intensa. Para mim, é uma satisfação ajudar essas pessoas”, disse Davi Haje ao IGESDF.

Quatro brasileiros que nasceram com pés tortos congênitos já passaram pelo tratamento com o Dr. Haje, tiveram sucesso.

A primeira a passar pela técnica foi Daiana da Silva Nascimento, de 26 anos, natural da Bahia.

Ela retirou o gesso em 24 de maio de 2019 e hoje vive normalmente, sem enfrentar mais as dificuldades para andar.

Quarto paciente

O quarto paciente que teve sucesso é Eugênio Marques de Almeida (foto abaixo), de 27 anos, que mora no Piauí e veio a Brasília para fazer o tratamento.

Na última sexta-feira, 21, após sete meses de tratamento, ele retirou o gesso e pode ver os pés na posição certa e, assim, calçar um tênis pela primeira vez. Os calçados foram dados de presente pelo Dr. Davi Haje.

“Ter esse problema dificulta muito, eu não posso ajudar meu pai. Meu sonho é ajudar meu pai e minha mãe. Sinto muita dor na coluna. Agora, eu vou poder ajudar eles. Eu não pude fazer isso na infância. Quero trabalhar”, disse Eugênio.

“Eu imaginava que não iria conseguir corrigir os meus pés, mas agora eu só tenho a agradecer a Deus e à equipe do Hospital de Base”.

Consultas

Como o serviço é novo no Hospital, o fluxo para recebimento dos pacientes ainda está sendo estruturado.

Primeiro eles precisam de encaminhamento de outra unidade de saúde para depois procurarem a central de marcação do Hospital de Base.

Eugênio Marques {de amarelo) com equipe médica - Foto: reprodução / IGESDF
Eugênio Marques {de amarelo) com equipe médica – Foto: reprodução / IGESDF
Dr. Davi Haje - Foto: reprodução / IGESDF
Dr. Davi Haje – Foto: reprodução / IGESDF
Casos publicados pelo JOCR - Foto: reprodução
Casos publicados pelo JOCR – Foto: reprodução

Com informações do IGESDF e JOCR