Deu certo! Jovem do 1º transplante de rosto comemora resultado

Joe DiMeo antes do acidente e agora - Foto: Reprodução/ NYU Langone Health
Joe DiMeo antes do acidente e agora - Foto: Reprodução/ NYU Langone Health

Cientistas e paciente comemoraram o resultado do primeiro transplante de rosto e de mãos bem sucedido no mundo.

Ele foi feito há 6 meses por médicos do NYU Langone Health, nos EUA, liderados pelo cirurgião plástico Eduardo D. Rodriguez, que deu uma entrevista coletiva nesta quarta, 3, para mostrar a evolução do paciente Joe DiMeo.

O jovem norte-americano de 22 anos sobre um acidente grave em julho de 2018 e ficou com o rosto desfigurado. Ele bateu o carro, o veículo capotou e explodiu com o rapaz dentro. Joe teve queimaduras de terceiro grau em mais de 80% do corpo. Ele perdeu as pontas dos dedos, os lábios e as pálpebras. Joe passou por mais de 20 cirurgias reconstrutivas e inúmeros enxertos de pele.

Desde que deixou o hospital em novembro – três meses após a cirurgia -, DiMeo está em reabilitação intensiva, dedicando inúmeras horas diárias à terapia física, ocupacional e fonoaudiológica.Ele precisa reaprender os novos comandos do seu corpo, como piscar.

Além disso, o paciente deve receber medicamentos por toda a vida para evitar a rejeição dos transplantes.

“É preciso muita motivação, muita paciência. E você tem que se manter forte em tudo”, disse Joe DiMeo à Associated Press.

Os desafios

A equipe de cirurgiões dos Estados Unidos disse que um dos grandes desafios foi encontrar um doador compatível e, principalmente, evitar a rejeição pelo organismo, que continua em observação.

Os médicos chegaram a estimar 6% de chance de encontrar o doador ideal, que tivesse compatibilidade com o sistema imunológico de Joe.

Outro complicador era encontrar um doador do mesmo sexo e tom de pele, em plena pandemia da COVID-19. Com o coronavírus, as doações de órgãos despencaram.

Apenas no início de agosto a equipe identificou um doador compatível em Delaware.

A cirurgia

Do dia da cirurgia, em 12 de agosto, até finalizar o procedimento, os médicos e enfermeiros — de um grupo composto por mais de 140 profissionais da saúde — levaram 23h de trabalhos ininterruptos.

Nesse período, foi necessário amputar ambas as mãos de DiMeo, substituindo-as e conectando os nervos novamente, além de vasos sanguíneos e 21 tendões — às vezes, finos como cabelos.

Além disso, foi necessário transplantar um rosto inteiro, incluindo testa, sobrancelhas, nariz, pálpebras, lábios, orelhas e alguns ossos faciais, fazendo toda a conexão nervosa acontecer.

“A possibilidade de sermos bem-sucedidos com base no histórico parecia pequena”, afirmou o Dr. Eduardo Rodriguez, que liderou a equipe médica.

Para aumentar as chances de sucesso, os médicos fizeram um planejamento cirúrgico 3D, no pré-operatório, com detalhes da situação do paciente e, assim, conseguiram alinhar os ossos com as placas e os parafusos implantáveis, por exemplo, na visualização digital.

Transplante raro

De acordo com a United Network for Organ Sharing (Unos) —  entidade que supervisiona o sistema de transplantes nos EUA —  são contabilizados menos de 20 transplantes de rosto e cerca de 35 transplantes de mão no globo.

Agora, transplantes simultâneos de face e das mãos são extremamente raros. Nenhum deles havia tido sucesso até então.

A operação pela qual o paciente norte-americano passou já foi tentada outras duas vezes com outras pessoas, uma delas morreu.

“O fato de que eles conseguiram é fenomenal”, comentou Bohdan Pomahac, cirurgião do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, que liderou a segunda tentativa de transplante de rosto.

“Eu sei em primeira mão que é incrivelmente complicado. E foi um tremendo sucesso”, concluiu.

Evolução do paciente - Foto: reprodução/ NYU Langone Health
Evolução do paciente – Foto: reprodução/ NYU Langone Health
O jovem antes e após o acidente - Reprodução/ NYU Langone Health
O jovem antes e após o acidente – Reprodução/ NYU Langone Health
Joe e os pais Rose e John - Foto: Mark Lennihan
Joe e os pais Rose e John – Foto: Mark Lennihan

Com informações do NYUYahoo