Como governadores do Nordeste conseguiram comprar vacina mais barata

Governadores do Nordeste conseguiram comprar 37 milhões de doses da vacina russa Sputnik e pagar bem menos que o governo federal. Eles agiram rápido, ainda no ano passado, para reservar as doses.
Por isso, a mesma vacina para o Consórcio Nordeste saiu US$ 9,95 por dose, contra os US$ 13 pagos pelo Ministério da Saúde – que demorou para fazer o pedido e também só conseguiu garantir 10 milhões de doses do imunizante russo.
Mesmo sem ter autorização da legislação brasileira, na época – para compras que não passassem pelo Ministério da Saúde – o então presidente do Consórcio Nordeste, o governador Rui Costa, assinou em 2020 o memorando de compra para 50 milhões de doses.
Por sorte, este ano a legislação mudou com a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal e a sanção da lei que agora permite a compra descentralizada, pelos estados.
“Na verdade, o que tem de vantagem é o fato de termos feito esse contrato de opção de compra”, disse em entrevista à CNN Brasil o governador do Piauí, Wellington Dias, que faz parte do bloco.
Vacinas para todo o Brasil
E, a exemplo da Coronavac – comprada com antecedência pelo governo de São Paulo – as doses da Sputnik V, compradas pelo Consórcio Nordeste, também serão distribuídas para todo o Brasil, ou seja, vão fazer parte do Plano Nacional de Imunização.
O governo federal foi informado oficialmente da compra em reunião dos governadores do Nordeste, na última sexta, 12, com então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello – que, após ser fritado neste final de semana, será trocado pelo médico Marcelo Queiroga nesta terça, 16.
No dia seguinte o governador do Piauí, Wellington Dias, atual presidente do Consórcio Nordeste, anunciou nas redes sociais a compra das 37 milhões de doses do imunizante russo.
“Nós comunicamos ao ministro Pazuello o fechamento de um contrato firme para 37 milhões de vacinas Sputnik entre o Consórcio Nordeste e o Fundo Soberano Russo. Também tratamos com a equipe do Ministério da Saúde os termos para mantermos um regramento para que haja vacina para todo o Brasil”, afirmou o governador.
Anvisa
A vacina russa é produzida pelo laboratório União Química, no Distrito Federal.
Até agora, ela não tem o registro emergencial, nem definitivo, da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para ser utilizada no Brasil.
Nesta segunda, 15, a Rússia fechou acordo com companhias de Itália, Espanha, França e Alemanha”, acordos para a produção da Sputnik V, enquanto aguarda a homologação na União Europeia.
Chegada das doses
Os governadores do Nordeste devem assinar até esta quarta-feira o contrato final para aquisição das 37 milhões de doses da vacina Sputnik V.
A expectativa é de que os lotes das vacinas russas cheguem ao Brasil entre abril e julho, em quantidades escalonadas. O primeiro lote seria de 1,9 milhão de doses, em abril.
Por Rinaldo de Oliveira, da redação do Só Notícia Boa – com informações do Correio Braziliense, CartaCapital e OGlobo

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