Filho de faxineira faz surpresa no trabalho da mãe: passou em medicina

Uma cena linda de gratidão e orgulho da mãe! Um jovem de família humilde passou em medicina e foi até o trabalho da mãe dele, que é faxineira, para contar a surpresa para ela. Imagina a emoção!
André Ramon, de 26 anos, passou no curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) e o resultado saiu bem no dia do aniversário dele.
Nesta terça, 10, ele foi até a academia onde ela trabalha, em Rio Branco, para contar a novidade: “Mãe, eu vim lhe avisar que não era uma ilusão, era só um sonho difícil’, disse o estudante. Em seguida ele abraçou dona Vilenilde Arruda Maciel, de 48 anos. “Esse é o melhor presente da mamãe. Graças a Deus, parabéns mesmo”, disse Vilenilde chorando.
Mãe solo
André Ramon é o mais velho dos sete filhos da Vilenilde, que manteve sozinha a família humilde, no Acre, desde que se separou do marido, em 2017.
“Não tive condições para ensino mais avançado, sou ex-porongueiro, filho de empregada doméstica e o mais velho de sete filhos, não tive pai, então, minhas condições econômicas eram péssimas”, contou André.
E exatamente por não ter conseguido ir mais longe nos estudos, porque teve que começar a trabalhar logo cedo, Vilenilde, sempre incentivou na educação.
Para sustentar a casa sozinha, ela trabalhou muito, como doméstica e faxineira.
E agora, ver o filho entrando na faculdade é motivo de orgulho e esperança.
“Tenho certeza que agora começa uma nova etapa nas nossas vidas. Estou com muito orgulho e espero que a gente consiga caminhar para uma vida melhor a partir de agora”, diz a mãe.
E o filho lembra que não foi fácil.
“Medicina sempre foi uma coisa não muito palpável para nossas condições. Às vezes, eu tinha a sensação que eu não ia conseguir e o que me motivava a continuar é que eu queria ser espelho para eles e queria mostrar que uma hora tudo dá certo. A educação é o caminho mais garantido para mudar de vida”, finaliza.
A educação
André nasceu em uma comunidade da zona rural de Acrelândia, no interior do Acre, e conta que foi alfabetizado pelo extinto Projeto Poronga, que era um ensino acelerado, usado nas comunidades rurais para tentar evitar a evasão escolar.
Quando mudou para Rio Branco, ele sempre estudou em escola pública e sentia dificuldades em diversas áreas do ensino.
Os anos de tentativas para entrar em Medicina não foram fáceis.
André teve que lidar com a dificuldade de acesso à internet, materiais e também teve que se dedicar bastante nas áreas em que tinha algum tipo de deficiência no aprendizado.
Durante esse tempo, quando a coisa apertava em casa, ele fazia bicos para conseguir dinheiro e ajudar a mãe. Ele limpava piscinas, roçava quintais, pintava casa, entre outras coisas.
“Não era trabalho de carteira assinada, mas pegava às vezes para ajudar minha mãe e de uma forma que não atrapalhasse meus estudos. Isso me ajudava e em 2019 ganhei uma bolsa 100% para fazer um cursinho pré-vestibular”, conta.
Ele chegou a fazer o cursinho por um ano, mas em 2020, com a pandemia, as aulas foram suspensas. Foi aí que o estudante teve que encarar outro desafio: estudar em casa. E deu certo.
“A maior felicidade de um vestibulando como eu é poder dar essa notícia para sua mãe, dá esse orgulho, é a melhor coisa, às vezes até mais importante do que a própria aprovação. A gente almeja esse momento, de podermos contar isso para nossa mãe”, finalizou.
Com informações do G1

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