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Semaglutida pode ser eficaz contra aumento da gordura no fígado, diz especialista

Monique de Carvalho
03 / 03 / 2026 às 09 : 17
Anvisa aprovou a semaglutida para tratar gordura no fígado com inflamação. A novidade traz esperança para pacientes — Foto: Adobe Stock/Reprodução
Anvisa aprovou a semaglutida para tratar gordura no fígado com inflamação. A novidade traz esperança para pacientes — Foto: Adobe Stock/Reprodução

O uso da semaglutida, substância conhecida por estar em medicamentos indicados para obesidade e diabetes tipo 2, passou a ser autorizado também para o tratamento de esteatose hepática, a chamada gordura no fígado. A liberação foi feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo especialistas, a medicação pode atuar não apenas na redução do acúmulo de gordura no órgão, mas também na inflamação associada ao quadro e na fibrose, que representa uma fase mais avançada da doença. O tratamento, no entanto, exige prescrição médica e acompanhamento regular.

A novidade chama atenção porque a esteatose hepática costuma evoluir de forma silenciosa e é frequentemente diagnosticada em exames de rotina. Com a autorização da Anvisa, cria-se uma possibilidade de tratamento com medicamento mais direto.

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Gordura no fígado

O fígado desempenha mais de 500 funções no organismo, entre elas a metabolização de nutrientes, produção de proteínas e desintoxicação do corpo. A presença de pequenas quantidades de gordura é considerada normal. O alerta ocorre quando esse percentual ultrapassa 5% do volume do órgão.

Nessa situação, pode haver o desenvolvimento da esteatose hepática. A condição ocorre quando as células do fígado passam a acumular gordura de forma excessiva. Em parte dos casos, o quadro pode evoluir para inflamação, conhecida como esteato-hepatite.

Sem tratamento adequado, há risco de progressão para cirrose e, em situações mais avançadas, câncer hepático. O diagnóstico costuma ser feito por meio de exames laboratoriais e de imagem solicitados em consultas médicas de rotina.

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Nova possibilidade de tratamento

A hepatologista Renata Bona, do Hospital Jayme da Fonte, explica que a doença atinge principalmente pessoas com excesso de peso, hipertensão ou diabetes. De acordo com ela, a aprovação da semaglutida representa um avanço no manejo da condição.

“Desde dezembro de 2025, a Anvisa liberou um novo tratamento, que é a semaglutida. Ela melhora não só a esteatose, mas também a inflamação que é causada pela doença e a fibrose, que já seria a sequela que essa inflamação causa no fígado”, afirma.

A semaglutida é uma substância semelhante ao hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo organismo. Ela atua estimulando a secreção de insulina, reduzindo a liberação de glucagon e desacelerando o esvaziamento gástrico. O efeito combinado contribui para maior saciedade e controle do peso corporal.

Popularmente conhecida por integrar as chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic e Wegovy, a medicação é aplicada de forma semanal. Por apresentar possíveis efeitos colaterais e contraindicações, o uso depende de avaliação médica criteriosa.

Renata Bona ressalta que o tratamento não substitui outras medidas. “Com certeza, o tratamento precisa ter um acompanhamento regular com o médico, cumprindo as medidas dietéticas, com nutricionista e atividade física, porque é um remédio usado para o tratamento da obesidade e também agora para esteatohepatite e a gordura no fígado”, complementa.

Prevenção e acompanhamento

A prevenção da esteatose hepática envolve principalmente mudanças nos hábitos de vida. Alimentação equilibrada e prática regular de atividade física são orientações recorrentes entre especialistas.

Renata Bona destaca que a perda de peso, mesmo em percentual moderado, já apresenta impacto clínico relevante. “De 5% a 10% da perda de peso são eficazes tanto para diminuição da gordura quanto para desinflamação desse fígado. Além da medicação, é preciso observar as medidas dietéticas, sem dúvidas, e fazer atividade física regular”, orienta.

O acompanhamento médico periódico permite avaliar a evolução do quadro e ajustar o tratamento quando necessário. A inclusão da semaglutida amplia as possibilidades terapêuticas, mas o controle da doença continua dependente de abordagem integrada.

 

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