Depressão: pacientes podem ter a atividade cerebral “religada” em semanas

Tratamentos para depressão podem alterar a estrutura do cérebro. É o que mostra um novo estudo, apresentado em um congresso internacional de neuropsicofarmacologia. A pesquisa diz que esses pacientes podem ter a atividade cerebral “religada” em semanas, com a terapia certa.
O estudo foi mostrado no 35th annual European College of Neuropsychopharmacology e aponta que nem todos os pacientes com o chamado Transtorno Depressivo Maior, conseguem reagir a antidepressivos, terapia comportamental e outros tipos de tratamentos nas maneiras convencionais.
No entanto, eles afirmam que o acompanhamento certo, a intercalação dessas terapias e o tempo ideal de aplicação de cada uma delas, pode sim trazer ótimos resultados. Segundo os cientistas, o segredo está em observar o quanto os tratamentos estão mudando as estruturas cerebrais e não o comportamento dos mais afetados pela depressão.
Os testes
O estudo acompanhou 109 pacientes em estágio profundo de depressão. Todos tiveram o cérebro monitorado por ressonância magnética e apresentaram evolução no quadro do transtorno.
A primeira etapa incluiu a manipulação de antidepressivos. Em seguida, os pacientes foram tratados com terapia eletroconvulsiva, terapia psicológica ou uma combinação de todas as terapias.
Seis semanas após a primeira ressonância magnética, os pacientes tiveram os cérebros escaneados novamente. Os resultados do foram então comparados com os cérebros de 55 participantes saudáveis.
Os autores descobriram que os pacientes com as maiores melhorias nos sintomas também mostraram as alterações cerebrais mais estruturais.
Após seis semanas, a conectividade entre os neurônios em certas partes do cérebro aumentou e esses efeitos foram independentes da escolha do tratamento.
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Por enquanto, os cientistas ainda não têm uma explicação de como essas mudanças acontecem, ou por que elas deveriam acontecer com formas tão diferentes de tratamento.
Conforme apontam os autores, os antidepressivos estão associados à plasticidade neural no hipocampo e no córtex pré-frontal, e a terapia cognitiva comportamental está associada à ativação cerebral alterada no córtex pré-frontal e precuneus, ligada a imagens mentais e memória.
“Isso significa que a estrutura cerebral de pacientes com depressão clínica grave não é tão fixa quanto pensávamos, e podemos melhorar a estrutura cerebral em um curto período de tempo, cerca de seis semanas. Isso dá esperança aos pacientes que acreditam que nada pode mudar”, apontam os autores do estudo.
Com informações de Science Alert

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