Canabinoides têm efeito para tratamento de transtornos mentais, neurológicos e dor

Cada vez mais cresce o número de pesquisas que apontam o potencial terapêutico de canabinoides no tratamento dos mais variados tipos de doenças. A cannabis medicinal, como também é chamado o composto, hoje pode ser indicada com segurança para pacientes com transtornos mentais, neurológicos e dor.
As evidências são constatadas em centenas de estudos e, recentemente 194 deles foram destaque no “Mapa das Evidências sobre a Efetividade da Cannabis Medicinal”, produzido para o WeCann Summit, o maior congresso sobre Medicina Endocanabinoide do mundo.
“Os resultados trazidos pelo Mapa são contundentes e apontam a segurança e eficácia dos canabinoides na redução de sintomas e melhora do quadro de saúde para dor crônica, determinados transtornos neuropsiquiátricos e outros problemas de saúde que tanto prejudicam a qualidade de vida das pessoas”, relatou a neurocirurgiã Patricia Montagner, fundadora da WeCann Academy, única instituição da América Latina que realiza cursos voltados à Medicina Endocanabinoide.
Estudos de sucesso
Os estudos avaliaram o efeito de 18 tipos de intervenções à base de cannabis para 71 desfechos de saúde e foram publicados a partir de 2001, sendo o público-alvo mais comum os pacientes com transtornos mentais/neurológicos e aqueles que sofrem com dor crônica.
As intervenções foram agrupadas em quatro tipos: canabinoides sintéticos (100 associações), fitocanabinoide isolado (165 associações), formulações de THC e CBD (80 associações) e outras formulações à base de cannabis (144 associações).
Entre os nove grupos que compõem os estudos, são 90 associações ao resultado positivo da cannabis medicinal para o tratamento de transtornos mentais e 87 associações relacionadas à dor.
“Para cada uma das associações, foi reportado o efeito da intervenção para o desfecho, sendo que para a maioria a eficácia foi positiva (165) ou potencialmente positiva (114)”, explicou Patrícia, em entrevista ao Só Notícia Boa.
Tratamento seguro
Ao analisar apenas as revisões com alto nível de qualidade (34), foi reportado efeito positivo para os desfechos de segurança do paciente; alívio de dor; dor neuropática; insônia; qualidade do sono; convulsões; epilepsia; transtornos de ansiedade e transtornos cognitivos.
“Esse documento [ o Mapa] têm o propósito de orientar a assistência de pacientes com cannabis medicinal, além de promover a implementação dessa terapêutica baseada em evidências nos diferentes serviços de saúde”, fala a especialista.
Patrícia pontua ainda que, além de detalhar evidências e referências técnicas sobre o uso da cannabis medicinal para variados tratamentos de saúde, as evidências elencadas no Mapa reforçam a necessidade de se avançar no desenvolvimento de pesquisas no Brasil.
A especialista reforça a importância da realização de estudos clínicos de diferentes condições e, também, de intensificar a capacitação de médicos e outros profissionais de saúde sobre o uso terapêutico da cannabis e derivados.
“Somente desta forma será possível prescrever e tratar com mais confiança e conhecimento, além de contribuir para a regulação dos produtos à base de cannabis, para que sejam produzidos nacionalmente e distribuídos de forma segura e eficaz”, conclui.
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Mapa das Evidências
O Mapa das Evidências foi realizado em parceria com o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), responsável pela democratização do acesso e uso de informação baseada em evidência científica da Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).
As equipes técnicas da WeCann, CABSIN e BIREME/OPAS/OMS uniram esforços para atualizar a literatura científica sobre o uso medicinal da cannabis e, assim, apoiar profissionais de saúde, tomadores de decisão e pesquisadores na construção de ações de saúde baseadas em evidências.
“É muito importante que a gente possa avançar na implementação de políticas públicas informadas por evidências. A partir desse mapa, poderemos encaminhar esses resultados para as agências reguladoras, como a anvisa, por exemplo, e poder informar, a partir desse lançamento, que condições clínicas que a gente tem um alto nível de evidências”, disse o fundador e presidente do CABSIN, Ricardo Ghelman.
“Certamente vai ajudar na construção do processo regulatório relacionado ao uso de cannabis”, ressaltou o gerente substituto de produtos controlados da Anvisa, Thiago Brasil Silverio.

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