Operários aprendem a ler e escrever em canteiro de obras no Rio

Operários do canteiro de obras da BRT Transoeste aprenderam a ler e a escrever e agora vão se formar no projeto Escolinha OEC. Os trabalhadores também aprenderam noções básicas de matemática e conhecimentos gerais.
Todo o curso durou 11 meses e os alunos serão coroados numa cerimônia de formatura na Cidade das Artes. O programa forneceu material didático, uniforme e alimentação. Após o fim do curso, todos eles são encaminhados para unidades escolares perto de suas casas para darem continuidade nos estudos.
“Pra mim foi muito gratificante poder voltar a estudar, porque deixei o colégio muito cedo para poder trabalhar. Minha maior dificuldade era na escrita. Eu confio as letras. Depois do curso, fui fazer a matrícula numa escola onde moro, precisei fazer uma prova de nivelamento e a diretora adorou minha letra. Aquilo me trouxe uma felicidade muito grande”, contou a cozinheira Joseilda Pereira, de 54 anos e a única mulher da turma.
“Já consigo ler placas”
Além de Joseilda, quem recebeu nova oportunidade foi o prefeito Antônio de Brito, de 54 anos.
Ele nunca havia pisado em uma sala de aula antes e foi no projeto que começou os estudos.
“Eu nunca tinha estudado, porque onde nasci e me criei, no interior do Ceará, não existia escola”, disse.
Antônio chegou no canteiro sem saber ler nadinha e precisou de ajuda até para preencher um formulário.
“Hoje já consigo ler placas e nomes pequenos”, contou.
Assim como o xará, Antônio Eudes também é do Ceará e só estudou dois anos na infância. O sonho de voltar a frequentar as salas era antigo.
“Eu pensava em voltar a estudar, mas não tinha iniciativa; não dava o primeiro passo. Como aqui a escola era no mesmo lugar da obra, facilitou muito”, afirmou.
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Segunda turma
O projeto piloto se deu na Transbrasil, com a conclusão no fim de 2022. Agora, os alunos da Transoeste formaram a segunda turma.
“Já tínhamos a ideia de fazer uma escolinha dentro dos canteiros, porque a maioria da mão de obra na construção civil não tem alta escolaridade”, disse Mariane Brito, coordenadora da iniciativa.
Os operários participantes eram liberados 30 minutos antes do horário regular do expediente, para tomar banho, lanchar e depois seguir para a aula.
A duração das turmas era de duas horas, de segunda a quinta.
“São pessoas que não mexiam no caixa eletrônico e não sabiam ler letreiro de ônibus, por exemplo, e agora já conseguem. Damos prioridade para esses alunos na contratação para outras obras”, explicou.
Uma empresa especializada no assunto, a Rhumo Educação, foi responsável por fornecer as apostilas e a professora.
Com informações de O Globo.

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