Após 10 anos sem voz, cantor grava nova música com ajuda de IA

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Por Monique de Carvalho
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Após uma década sem lançamentos devido às sequelas de um AVC, o cantor Randy Travis gravou uma música com a própria voz reproduzida por IA. - Foto: Amy Harris/Invision/Associated Press

A tecnologia fazendo o bem mais uma vez! Desde que sofreu um AVC em 2013, o cantor Randy Travis, estrela da música country norte-americana, não gravava uma música até a IA mudar o rumo dessa história.

Emocionado, ele acaba de lançar “Where That Came From”. A canção foi criada com software treinado com 42 gravações originais do astro para reproduzir com fidelidade os timbres, dicção e estilo.

O cantor James Dupré gravou os vocais da nova música, e serviu como base para que o sistema transformasse em vocal de Travis através da IA. O resultado foi um single de sucesso com milhares de visualizações no YouTube e plataformas de áudio.

As sequelas do derrame 

Quando sofreu o derrame, os médicos deram a Randy 2% de chance de sobreviver.

Isso porque além da paralisia, o ataque cerebral causou danos à área do cérebro dele que controlava a fala e a linguagem, o que o deixou quase irreparável.

A condição chamada afasia limita a capacidade de falar – é por isso que a esposa, Mary Travis, o auxilia nas entrevistas.

Ele teve que reaprender a andar, soletrar e ler novamente.

A ideia do projeto 

A ideia de uma música na voz de Randy veio da Cris Lacy – co-presidente da Warner Music Nashville, gravadora que detém os direitos das músicas do astro.

Ela que abordou o cantor e a esposa e perguntou: “E se pudéssemos pegar a voz de Randy e recriá-la usando IA?”. Os dois concordaram animados com o projeto.

“Tudo que eu sempre quis, desde o dia do derrame, foi ouvir aquela voz novamente”, disse Mary.

Nem imagina que isso seria possível 

A produção do clipe mostra diversos momentos das gravações, e em muitos Randy comemora o sucesso da obra.

Todo o processo foi acompanhado de perto pela equipe de Randy, sob supervisão do próprio artista e do produtor de longa data Kyle Lehning, para garantir fidelidade no resultado.

Nas redes sociais, Randy disse que há onze anos, nunca pensou que seria capaz de ter uma nova na produção musical de qualquer tipo.

O artista ainda comemorou: “Compartilhar uma música pela primeira vez em mais de uma década é uma bênção, e estou grato pela graça de Deus, família, amigos, colegas artistas e fãs por tornarem isto possível”.

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Emoção ao ouvir pela primeira vez 

Marys diz que o “elemento humano” e “as pessoas envolvidas” no projeto o separam dos usos negativos da IA ​​na música.

“Lembro-me de observá-lo quando ele ouviu a música pela primeira vez depois de concluída. Foi lindo porque no começo ele ficou surpreso, depois ficou muito pensativo, ficou ouvindo e estudando”, disse ela.

“E então ele abaixou a cabeça e seus olhos ficaram um pouco lacrimejantes. Acho que ele passou por todas as emoções que havia naqueles três minutos apenas ouvindo sua voz novamente.”

Polêmica 

O uso da inteligência artificial para recriar vozes de artistas é um tema polêmico, especialmente se envolver personalidades já falecidas.

Isso porque surgem questões éticas e legais devido ao potencial uso não autorizado das imagens e vozes de artistas.

Mas, por outro lado, essa tecnologia também oferece oportunidades para cantores vivos com limitações, como Randy, continuarem criando.

Produções futuras

Depois desse primeiro lançamento, a expectativa é que possa vir mais.

“Veremos onde isso vai dar. Este é um território tão estranho. Provavelmente há mais no horizonte”, compartilhou Mary.

“Temos outras faixas”, diz Lacy, mas a Warner Music está sendo igualmente seletiva. “Isso não é uma façanha e não é um truque de salão”, acrescentou ela. “Era importante ter uma música digna dele.”

Ouça a nova música do astro:

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Com informações da AP  e The Verge.