Seleção Olímpica de Refugiados vai competir em Paris; Atletas fugiram de seus países

Uma Seleção Olímpica de Refugiados, que reúne 26 atletas de 11 países, competindo em 12 modalidades, estará em Paris. São esportistas, que deixaram suas nações porque se sentiam perseguidos pelos mais diversos motivos. Superação é a palavra de ordem dessa turma.
A equipe foi criada para as Olimpíadas do Rio, em 2016, como esperança de dias melhores e alerta para situação dos refugiados. Em Paris, os atletas refugiados irão para Paris em um momento de migração recorde. As histórias que cercam esses esportistas são emocionantes.
Pela legislação internacional, são refugiados os que estão fora de seu país de origem por perseguição – seja por causa de raça, de religião, de nacionalidade, do grupo social, de opinião política, das violações de direitos humanos ou dos conflitos armados.
Seleção Olímpica
A Seleção Olímpica de Refugiados reúne histórias lindas e emocionantes de superação. Pessoas que venceram as barreiras do idioma, da fome, da falta de esperança e, sobretudo do preconceito e da discriminação.
Fernando Dayán Jorge passou a infância voando entre barcos de pesca frágeis e casas, na baía próxima à sua casa em Cienfuegos, Cuba. Começou a praticar lá com seu pai, quando tinha 11 anos, ele disse que sente como se tivesse vivido mil vidas.
O canoísta de 25 anos foi duas vezes atleta olímpico da seleção cubana no Rio de Janeiro e em Tóquio. Depois, medalhista de ouro. Abandonou a equipe cubana e mora nos Estados Unidos, na Flórida.
“Ser escalado para as Olimpíadas de Paris de 2024 é uma oportunidade enorme”, disse Fernando. “Há tantos cubanos que vêm para este país e perdem o sonho de competir novamente, simplesmente porque não sabem como voltar para este lugar.”
Quebra de paradigmas
A afegã Manizha Talash, de 21 anos, quebrou vários tabus no seu país. No Afeganistão, onde os talibãs – muçulmanos radicais religiosos – dão as regras e fixam normas rígidas contra as mulheres, ela enfrentou a ordem. A atleta faz parte a equipe de break dance.
Dançar no Afeganistão é para homens apenas. “Estou aqui porque quero alcançar meu sonho. Não porque estou com medo”, afirmou Manizha, que mora em Madri, na Espanha.
A afegã salta, gira, faz movimentos com as mãos e os pés ao ritmo do hip-hop, balançando seu cabelo preto e vermelho antes de fazer uma pose sinalizando o fim de sua performance. Ela lembra que começou a dançar ainda no seu país – era a única numa turma de 55 meninos.
“O Talibã não gosta quando uma garota dança”, disse a atleta. “As meninas não podem fazer nada”, acrescentou.
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Em guerra
O sírio Mohammad Amin Alsalami está na equipe do atletismo e hoje vive em Berlim, na Alemanha. Ele deixou para trás sua cidade natal devastada pela guerra, Aleppo, fugiu para a Turquia, passou pela Grécia e viajou a pé até a Alemanha. A guerra civil no país dura 13 anos.
Segundo o atleta, participar das Olimpíadas é uma emoção sem igual. “Todos os outros atletas de atletismo de Berlim estavam treinando num salão”, disse ele. “Quando entrei e vi o quão cheio e quente estava lá dentro… era quase como o paraíso para mim.”
O sírio disse ter recebido total apoio de todos os atletas e treinadores em Berlim, mesmo sem falar uma palavra sequer em alemão nem inglês.
“Eu não entendia nada, nem em inglês”, disse Alsalami. “E então eu disse ‘Ei, eu sou sírio’ no meu celular, e ele disse ‘Eu sou seu treinador de agora em diante’”, afirmou ele, segundo reportagem da AP.

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