Tratador vira pai de filhotes de gorilas rejeitados pelas mães; ameaçados de extinção

Durante sete meses, esse tratador deixou a rotina dele de lado para assumir um papel inesperado: virou pai substituto de dois filhotes de gorilas, rejeitados pelas próprias mães. E a paixão é tanta, que ele chegou a largar o antigo emprego para se dedicar aos primatas.
Alan Toyne levou os pequenos para a casa dele, anos atrás. Na residência, dividia com os filhotes o tempo, os cuidados e também a própria cama, além da mesa de jantar e o coração. Isso até que os primatas conseguissem ser reintegrados ao grupo social deles.
Afia e Hasani, são gorilas-das-terras-baixas-ocidentais, espécie ameaçada de extinção. Eles foram rejeitados pelas mães no Zoológico de Bristol, no Reino Unido, em 2016. A saga foi toda registrada no livro “Gorilas em Nosso Meio”, em que ele contou os bastidores da experiência. “Ainda me lembro do primeiro dia em que levei Afia para minha casa na cadeirinha do carro e a coloquei para dormir na mesa”, disse ele em entrevista ao SWNS, que foi reproduzida pela FOX 40.
Apaixonado por gorilas
Alan sempre foi fascinado por primatas. Na infância, visitava com frequência o Zoológico de Londres e se encantava com o comportamento dos macacos e gorilas.
Em 2006, ao se mudar para Bristol, começou a transformar a paixão em profissão. Largou o trabalho na área de finanças e se voluntariou no zoológico local.
O experimento virou carreira e ele foi contratado como tratador. Foi assim que tudo começou.
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Levou o primeiro para casa
Em 2016, nasceu Afia, fruto de uma cesariana de emergência.A mãe dela, Kera, sofreu complicações graves e não conseguiu cuidar do bebê.
Alan fez parte de uma equipe de seis pessoas que se revezavam para oferecer suporte necessário à filhote.
Todos os dias, levava o bichinho para casa à noite. A missão era clara: manter Afia viva, segura e, ao mesmo tempo, garantir que ela se sentisse parte do grupo de gorilas do zoológico.
Essa foi a primeira vez que o método de criação animal com presença constante foi utilizado no Reino Unido.
Transformou a casa
Para adaptar a rotina, o tratador transformou a própria casa em um ninho de gorilas.
Ele alimentava os filhotes de duas em duas horas.
Também os ensinou a subir, andar, brincar e até comia junto com os primatas.
“Depois de algumas semanas, nós três estávamos dormindo na mesma cama. Se Afia quisesse me acordar para brincar, ela me dava um tapa na cabeça, mas com Sharon [esposa de Alan], Afia acariciava o seu rosto gentilmente.”
Despedida e recompensa
Até que chegou a hora de dizer adeus aos filhotes e, não foi nada fácil.
A equipe sempre teve como meta devolver os pequenos ao grupo social da espécie.
Parte fundamental do trabalho era ensinar às “mães de aluguel” (outras fêmeas gorilas do grupo) como cuidar dos filhotes.
Mesmo triste, Alan disse que a recompensa veio com o sucesso da reintegração.
“É claro que você tem o lado de tratador profissional de zoológico, mas aí você não consegue evitar se apegar. Mas você sempre busca o melhor para o animal, que é deixá-lo ser um gorila”, finalizou.

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