Idosa que viveu 70 anos sem certidão escolhe data de nascimento e nome: “não sabia quem era”

Uma brasileira que passou 70 anos invisível para o Estado, finalmente conseguiu tirar os documentos. Por mais de sete décadas, a idosa Maria da Imaculada Conceição viveu sem certidão e um registro que confirmasse oficialmente a existência dela. Como não tinha documentos, ela não conseguia acesso a atendimentos médicos, vacinas, auxílios sociais ou qualquer serviço básico de cidadania.
Estimada como nascida em 1957, Maria é moradora de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ela conseguiu a primeira certidão de nascimento da vida dela após uma ação judicial movida pela Defensoria Pública do Ceará, que solicitou à Justiça o registro tardio. E pôde escolher o próprio nome e a data de nascimento.
Agora, com RG e CPF, Maria se sente “renascida”. Os sonhos dela? Cuidar da saúde, tomar vacinas e buscar atendimentos médicos que sempre ficaram fora do alcance. “A partir de hoje, que eu nasci novamente, vou tocar a vida pra frente. Agora eu já tenho o que não tinha pra trás: meu documento”, disse ao g1.
Escolhu nome e da data de nascimento
O nome Maria da Imaculada Conceição foi uma escolha pessoal da idosa. Ela também decidiu a data de nascimento: 8 de dezembro, dia em que os católicos celebram Nossa Senhora da Imaculada Conceição. A escolha tem forte ligação com a fé e representa, para ela, um novo começo.
Segundo informações da Defensoria Pública, o processo começou depois que uma amiga, Cláudia de Araújo, descobriu que Maria não possuía documentos. A situação veio à tona quando a idosa adoeceu e foi aconselhada a procurar um médico. Sem registro civil, não era possível ser atendida em um posto de saúde.
Depois de meses de acompanhamento jurídico, o pedido foi aceito pela Justiça. Em outubro, Maria recebeu também a primeira carteira de identidade com número de CPF, durante um atendimento no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município.
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Direito básico e gratuito
O registro de nascimento é gratuito e considerado o primeiro documento de cidadania de uma pessoa.
É ele que garante acesso a direitos essenciais, como matrícula em escolas, atendimentos de saúde, emissão de documentos, programas sociais e participação política.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 1,31% da população brasileira não tem registro civil — uma condição conhecida como sub-registro.
No Ceará, a cobertura de registro civil é de 96,8%, o que significa que cerca de 3,8% dos cearenses ainda vivem sem documentos.
Desde 2019, o Plano Nacional de Registro Civil de Nascimento e Documentação Básica permite que pessoas em situação semelhante à de Maria façam o registro tardio por meio da Justiça.
A Defensoria Pública atua em parceria com cartórios e órgãos públicos para localizar informações e garantir que cada cidadão tenha o direito de ser reconhecido oficialmente.
Olha a carinha dela de alegria:

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