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Famílias separadas há décadas se reencontram após ação da polícia do Rio

Monique de Carvalho
03 / 02 / 2026 às 10 : 50
Muitas famílias participantes do programa foram separadas há décadas. Agora eles podem se reencontrar - Foto: Globo
Muitas famílias participantes do programa foram separadas há décadas. Agora eles podem se reencontrar - Foto: Globo

Uma iniciativa recente da Polícia Civil do Rio de Janeiro tem permitido que famílias separadas há décadas possam se reencontrar, mesmo estando em diferentes regiões do estado e do país. Os casos envolvem pessoas que perderam contato ainda na infância ou após processos de adoção, mudanças forçadas ou situações de vulnerabilidade.

A ação está ligada ao uso mais estruturado do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, criado em 2019, que reúne informações como nomes, documentos, fotografias e, em alguns casos, dados genéticos. Com o avanço desse banco de dados, a polícia passou a identificar situações em que o rompimento de vínculos não estava relacionado a um desaparecimento recente, mas a separações antigas.

Os reencontros vêm ocorrendo após cruzamento de dados e atendimento direto às famílias que procuraram delegacias em busca de informações. Em alguns casos, parentes moravam na mesma cidade ou em municípios próximos, sem saber da proximidade ao longo dos anos.

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Um reencontro após quatro décadas

Um dos casos acompanhados pela Polícia Civil envolve Valesca da Silva, que foi levada de casa pelo pai ainda bebê, aos seis meses de idade. Ao longo de 40 anos, ela acreditou que havia sido rejeitada pela mãe biológica. Recentemente, descobriu que Genilda Porfírio Cortês passou todo esse tempo procurando pela filha.

Valesca contou que sempre soube o nome da mãe biológica, mas não imaginava que a busca fosse recíproca. Já Genilda nunca deixou de pensar na filha, mesmo sem informações concretas sobre o paradeiro.

O reencontro só foi possível após a intervenção do irmão de Valesca, Marcus Silva, que teve conhecimento de uma ação da polícia por meio das redes sociais e decidiu entrar em contato para entender como funcionava o procedimento de busca.

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Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas

O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas foi criado para concentrar informações e facilitar investigações em todo o país. Ao longo dos anos, o sistema passou a ser usado também para casos de restabelecimento de vínculos familiares rompidos há muito tempo.

Com base nesse banco de dados, a Polícia Civil do Rio de Janeiro criou um núcleo específico para atender famílias que procuravam ajuda sem saber por onde começar. Muitas dessas situações não envolviam desaparecimentos formais, mas histórias de separações motivadas por adoção, migração ou dificuldades sociais.

Segundo a delegada Elen Souto, a proposta é estruturar um serviço que possa ser replicado em outros estados, considerando a dimensão territorial do Brasil e a frequência desse tipo de demanda nos órgãos policiais.

Irmãos separados após a morte da mãe

Outro grupo atendido pela iniciativa envolve uma família de 12 irmãos, nascidos em uma área rural do estado do Rio de Janeiro. Após a morte da mãe, o pai decidiu entregar os filhos para adoção, o que resultou na separação completa do grupo.

Cypriano de Lima relembrou que, a partir daquele momento, cada um seguiu para um destino diferente. Laurentina de Abreu contou que foi encaminhada para um colégio de freiras e cresceu sem informações sobre os irmãos.

“Eu pedia muito a Deus pra um dia encontrar todo mundo. Era o que eu pedia”, contou Laurentina, ao Globo.

Antônio Lima afirma que não lembrava sequer dos rostos dos familiares e desconhecia qualquer dado sobre o paradeiro deles. Ao procurar uma delegacia e apresentar a documentação disponível, teve acesso imediato a registros que indicavam a existência de pelo menos cinco irmãos já identificados no sistema.

Reencontros facilitados

Com o avanço das buscas, os irmãos conseguiram localizar Maurício, hoje com 72 anos, que havia passado parte da infância em um orfanato e, posteriormente, viveu em situação de rua. O reencontro ocorreu após o cruzamento de nomes dos pais e registros antigos disponíveis no cadastro.

Durante a conversa entre os irmãos, a coincidência dos nomes familiares foi suficiente para confirmar o vínculo, sem necessidade de exames genéticos. A constatação ocorreu de forma direta, a partir das informações documentais reunidas pela polícia.

Os irmãos, que foram separados após a mãe morrer, conseguiram se reencontrar graças ao programa - Foto: Globo
Os irmãos, que foram separados após a mãe morrer, conseguiram se reencontrar graças ao programa – Foto: Globo
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