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Pesquisadores brasileiros desenvolvem moléculas que matam câncer cerebral

Monique de Carvalho
20 / 02 / 2026 às 10 : 29
As moléculas matam o câncer a partir de alterações feitas na estrutura. O novo tratamento incluiu tumores das linhagens de glioma e glioblastoma - Foto: Canva
As moléculas matam o câncer a partir de alterações feitas na estrutura. O novo tratamento incluiu tumores das linhagens de glioma e glioblastoma - Foto: Canva

Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram novas moléculas em laboratório que matam células de câncer cerebral. O estudo foi publicado na revista científica ACS Omega e apresentou resultados iniciais em testes com linhagens de glioma e glioblastoma.

A pesquisa partiu de um medicamento já utilizado contra alguns cânceres do sangue, que foi adaptado para alcançar tumores sólidos, que costumam responder de forma mais limitada às terapias disponíveis.

Entre as substâncias criadas, duas mostraram um ótimo desempenho na eliminação de células tumorais, inclusive em células-tronco de glioblastoma, conhecidas pela resistência aos tratamentos.

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Como surgiram as novas moléculas

O trabalho foi conduzido no doutorado da cientista Luciana Costa Furtado, que utilizou como ponto de partida o fármaco belinostate. A equipe sintetizou 11 compostos semelhantes para então conseguir ampliar o espectro de ação para tumores cerebrais.

A estratégia consistiu em modificar a estrutura química do medicamento para melhorar a interação com alvos moleculares presentes nas células tumorais.

Segundo os pesquisadores, a adaptação buscou contornar limitações observadas no tratamento de tumores sólidos, como a dificuldade de penetração dos compostos no tecido cerebral.

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Testes

Nos experimentos iniciais, quatro moléculas apresentaram efeito relevante na indução da morte de células tumorais. Duas avançaram para análises mais aprofundadas após demonstrarem maior atividade.

Uma delas, pertencente à classe dos ácidos hidroxâmicos, apresentou desempenho mais consistente na eliminação das células cancerígenas. Os testes incluíram também células-tronco de glioblastoma, que costumam sobreviver a terapias convencionais por possuírem poucos alvos terapêuticos.

Os resultados indicam que os compostos conseguem atuar em mecanismos associados à sobrevivência tumoral, o que pode ampliar possibilidades de tratamento no futuro.

Simulações 

Além das análises em laboratório, a equipe realizou modelagem computacional para estimar o comportamento das moléculas no organismo humano. Esse tipo de simulação ajuda a prever absorção, distribuição e capacidade de alcançar o local do tumor.

Os dados sugerem um perfil farmacocinético considerado favorável, com indicação de que os compostos podem atingir concentrações eficazes no cérebro. Esse é um dos principais desafios no desenvolvimento de terapias para cânceres do sistema nervoso central.

Os pesquisadores ressaltam que essas previsões precisam ser confirmadas em etapas experimentais posteriores.

Rede internacional de pesquisa

O estudo foi realizado por uma colaboração multidisciplinar que reuniu especialistas em química, biologia celular e modelagem computacional. A síntese dos compostos ocorreu na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

Os testes com células tumorais foram conduzidos no Instituto de Ciências Biomédicas da universidade, com colaboração da Universidade de Groningen, na Holanda, que contribuiu com experimentos envolvendo linhagens mais agressivas.

As simulações computacionais contaram com apoio da Universidade de Tübingen, na Alemanha, ampliando a análise sobre o comportamento das moléculas.

Próximas etapas

Os resultados são considerados preliminares e indicam a necessidade de novos testes de eficácia e segurança. As próximas fases incluem avaliações adicionais antes de qualquer estudo clínico.

De acordo com os pesquisadores, o trabalho contribui para a busca por alternativas terapêuticas contra tumores cerebrais, especialmente o glioblastoma, que apresenta alta complexidade biológica e limitações nas opções de tratamento atuais.

 

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