Menina com paralisia cerebral, rejeitada por 8 famílias, é adotada e agora tem dois pais

Ela encontrou o amor onde a sociedade vê preconceito. Lorena, uma menina que nasceu com paralisia cerebral, foi adotada por dois pais depois de ser abandonada pela mãe biológica e rejeitada por 8 famílias. Ela encontrou um lar definitivo na casa e no coração do Gabriel e do José Augusto Abbade Stolthe, um casal homoafetivo do interior de São Paulo.
Os dois pais adotaram a menina em 2022. Hoje ela tem 4 anos e eles se desdobram para dar amor, combater o preconceito e cuidar da Lolô, como ela gosta de ser chamada. E estão conseguindo.
“Disseram que ela não faria nada, mas ela dita seus próprios limites. Hoje ela se comunica, é ‘boa de garfo’ e se Deus quiser um dia vai andar”, disseram os pais em entrevista ao O Liberal.
Abandonada pela mãe biológica
A Lorena nasceu em 2022 no Hospital Municipal de Americana (SP), exatamente onde o Gabriel era técnico de enfermagem na UTI Neonatal.
Ele estava de plantão no dia do nascimento da menina, que teve complicações no parto e paralisia cerebral por falta de oxigenação.
Gah, como é chamado em família, contou que a genitora rejeitou a Lorena pela condição física da menina: “Dizia que não queria uma criança ‘com defeito’, pois não serviria para levar ao semáforo”, lembrou.
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Amor à primeira vista
Depois de perder o pai para a Covid-19, Gabriel deixou o hospital e pensou em abandonar a saúde, mas a Lorena não saía da cabeça dele.
“No primeiro encontro com José Augusto, ela segurou a barba dele. Foi quando nasceu o pai”, conto o Gabriel.
Casados há 8 anos, os dois estavam na fila da adoção há tempos. Foi quando decidiram que a Lorena seria filha deles.
Gabriel foi adotado
Gabriel, que é filho adotivo, sempre sonhou ter filhos e desejava acolher uma criança com deficiência. E o sonho se realizou com a Lorena.
Mas a luta foi longa. Só depois de ser rejeitada por oito famílias, os dois pais conseguiram autorização para adotar a criança.
Levada para o lar definitivo, Lorena fez José Augusto aprender até a manejar a traqueostomia para cuidar da filha.
A alegria da casa
E a menina, que passou por tantas rejeições, hoje é a alegria da casa.
“Ela é 100% ativa e me chama o dia inteiro”, disse o Gabriel.
“Nossa vida está completa e Lorena nos ensina todos os dias a ter fé e esperança em dias melhores”.
“Respeito é inegociável”
Eles contam que único apoio que o casal tem é da Apae, que cuida da Lorena e do emocional dos pais também.
E sonham que um dia a menina tenha autonomia: “Quero que ela esteja pronta para um mundo que ainda não está pronto para ela”, disse.
“Batalhamos pelos nossos direitos e pelos dela. Ninguém é obrigado a aceitar, mas o respeito é inegociável”, concluiu José Augusto.

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