Novo remédio para crianças com epilepsia resistente passa nos testes em humanos

Um novo remédio voltado ao tratamento de epilepsia rara apresentou resultados positivos em um estudo feito na Inglaterra. O remédio, chamado Zorevunersen, foi testado em crianças com síndrome de Dravet, uma forma genética e resistente da doença.
Esse tipo de epilepsia afeta aproimadamente 3 mil crianças no país e costuma ser difícil de controlar com os remédios disponíveis hoje. Em muitos casos, as crises são frequentes e exigem acompanhamento constante.
Os resultados do estudo mostram uma queda importante no número de convulsões e melhorias no desenvolvimento das crianças. Os dados também ajudam a abrir caminho para novos tratamentos de doenças parecidas.
Como foi feito o estudo
O teste envolveu 81 crianças e adolescentes, com idades entre 2 e 18 anos. Todos tinham síndrome de Dravet e podiam ter até 18 crises por mês antes do início do tratamento.
O remédio foi aplicado em três doses, em um hospital de Londres, com apoio de pesquisadores da University College London. Após a primeira dose, as crises caíram, em média, pela metade.
Depois das três aplicações, a redução chegou a cerca de 80%. Segundo os pesquisadores, o medicamento foi bem aceito pelos pacientes e não causou efeitos colaterais importantes durante o estudo.
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O que mudou no dia a dia das crianças
Além da diminuição das crises, os médicos perceberam mudanças na rotina das crianças. Houve melhora em movimentos do corpo e também na forma de se comunicar.
Esses pontos são relevantes porque a síndrome de Dravet pode afetar o desenvolvimento ao longo da infância. Com menos crises, os pacientes conseguem ter um acompanhamento mais estável.
Também foram observados sinais de que as crianças passaram a lidar melhor com a condição no dia a dia, o que ajuda no cuidado contínuo.
O que dizem os especialistas
A pesquisa foi liderada pela neurologista Helen Cross, que trabalha com epilepsia infantil. Segundo ela, muitos pacientes com esse tipo de condição têm crises frequentes e precisam de cuidados o tempo todo.
“Vejo pacientes com epilepsias genéticas difíceis de tratar, que podem ter várias crises por semana. Muitos não conseguem fazer atividades sozinhos e dependem de acompanhamento constante”, explicou.
Ela informou que um novo estudo, maior e mais longo, já está sendo organizado para avaliar o uso do remédio por mais tempo e acompanhar possíveis efeitos.
Próximos passos e impacto
Especialistas que não participaram da pesquisa também avaliaram os resultados. Para o neurologista Alfredo Gonzalez-Sulser, o estudo mostra que esse tipo de tratamento pode funcionar em outras doenças parecidas.
Hoje, existem mais de 800 tipos de epilepsias genéticas sem opções específicas de tratamento. Por isso, pesquisas como essa ajudam a orientar novos caminhos.
Os próximos estudos devem confirmar os resultados e mostrar se o remédio pode ser usado de forma mais ampla no futuro.

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