Alzheimer: caso de idosa que melhorou após dose experimental de psilocibina é estudado pela ciência

Vai ciência! Após 10 anos com Alzheimer, essa idosa melhorou, recuperou a fala, parte da memória, controle da urina e dos movimentos, tudo depois de receber uma dose experimental de psilocibina, uma substância encontrada em alguns tipos de cogumelos. O caso dela, que surpreendeu pesquisadores, foi publicado na revista científica Frontiers in Neuroscience.
A paciente de ascendência japonesa, na faixa dos 80 anos de idade, que já não reconhecia mais familiares, falava pouco, precisava de ajuda para caminhar, para se vestir e tinha perdido o controle da bexiga. Porém, menos de 24 horas depois de receber uma dose supervisionada de psilocibina, ela “acordou” e começou a contar espontaneamente a história da vida dela.
Não se trata de cura, alertam os pesquisadores: “Os resultados não significam reversão da doença, mas sugerem que algumas funções podem permanecer preservadas e voltar a ser acessadas em determinadas condições”, escreveram os autores do estudo ligados à Associação Cruz de Ankh, em São Paulo.
Melhoras chamaram atenção
Nos dias seguintes, a paciente apresentou mudanças que a família não via havia anos. Ela voltou a caminhar com mais independência, conseguiu se vestir sozinha, reconheceu parentes, manteve contato visual, sorriu, retomou conversas e recuperou o controle da bexiga, perdido havia mais de cinco anos.
Um mês depois, ainda apresentava parte dessas melhoras e recebeu uma segunda dose, menor. Segundo os pesquisadores, ela mostrou ainda mais expressividade, bom humor e caminhava com mais agilidade.
O caso chamou a atenção da imprensa internacional. A revista People publicou matéria no mês passado dizendo: :Mulher com Alzheimer avançado recupera a fala e a mobilidade após consumir cogumelos mágicos”.
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As doses que a idosa recebeu
Como parte do experimento, a idosa recebeu uma dose oral única de 5g de cogumelo da cepa Enigma contendo psilocibina. Os pesquisadores disseram que durante a primeira sessão, a paciente apresentou sudorese e sonolência profunda.
Menos de 24 horas depois, espontaneamente, ela começou a contar a vida dela, uma conversa que “que durou várias horas”.
Um mês depois, foi realizada uma segunda sessão com dose de 3g de cogumelos contendo psilocibina e a paciente “permaneceu significativamente mais expressiva verbalmente ao longo de toda a experiência e descreveu imagens emocionalmente positivas envolvendo surfar com seu filho em uma ilha tranquila”, diz o relato do caso. Nenhum efeito adverso grave persistente foi observado durante o acompanhamento.
Motivos da melhora
Os cientistas acreditam que a psilocibina pode estimular a neuroplasticidade, capacidade do cérebro de criar novas conexões entre os neurônios.
A hipótese é que algumas funções afetadas pelo Alzheimer não fiquem totalmente perdidas, mas temporariamente inacessíveis. E a substância encontrada nos cogumelos poderia, em alguns casos, facilitar o acesso a essas redes cerebrais.
Essa hipótese ainda precisa ser testada em estudos maiores e controlados e os autores do estudo não falam em cura da doença, mas acreditam que essa investigação possa levar a novos tratamentos no futuro.
Ainda não é um tratamento
Os próprios autores pedem cautela. O trabalho descreve apenas uma paciente e não incluiu grupo de comparação nem acompanhamento de longo prazo.
Por isso, os resultados não podem ser generalizados para outras pessoas com Alzheimer.
Os pesquisadores defendem que novas pesquisas sejam realizadas para verificar se a melhora observada pode se repetir em outros pacientes e por quanto tempo ela dura.
Mesmo sem representar uma cura efetiva, o caso abre uma nova linha de investigação e renova a esperança de encontrar tratamentos capazes de devolver qualidade de vida a pessoas que convivem com uma das doenças mais desafiadoras da atualidade.

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