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Tecnologia da USP consegue repigmentar pele com vitiligo em 15 dias, em testes com animais

Rinaldo de Oliveira
26 / 08 / 2026 às 12 : 22
Pesquisadores da USP desenvolveram nanopartículas que conseguiram reduzir a resposta imunológica ligada ao vitiligo e estimular a volta da pigmentação em testes com camundongos em 15 dias. - Foto: James Heilman, MD/Wikimedia Commons
Pesquisadores da USP desenvolveram nanopartículas que conseguiram reduzir a resposta imunológica ligada ao vitiligo e estimular a volta da pigmentação em testes com camundongos em 15 dias. - Foto: James Heilman, MD/Wikimedia Commons

Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) conseguiu repigmentar a pele com vitiligo em testes realizados com camundongos. Os animais receberam o tratamento durante 15 dias e apresentaram resultados considerados promissores pela equipe.

A pesquisa, publicada no Jornal da USP, é desenvolvida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e faz parte do trabalho de doutorado da farmacêutica Ana Vitória Pupo Silvestrini, orientada pela professora Maria Vitória Lopes Badra Bentley.

O tratamento experimental usa nanopartículas para levar diretamente à pele uma combinação de piperina e moléculas de RNA capazes de interferir em mecanismos envolvidos no desenvolvimento do vitiligo. Os resultados específicos dos testes em animais ainda não foram publicados em artigo científico e o tratamento não está disponível para pacientes, mas os pesquisadores querem agora avançar para estudos em seres humanos.

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Como funciona

O vitiligo é a doença autoimune que Michael Jackson tinha. Ela afeta entre 0,5% e 2% da população mundial, o que corresponde a cerca de 95 milhões de pessoas. A condição faz as células responsáveis pela pigmentação da pele, chamadas melanócitos, serem atacadas pelo próprio sistema imunológico.

Por isso, a equipe da USP decidiu tentar atacar a doença por diferentes caminhos ao mesmo tempo. As nanopartículas desenvolvidas pelos pesquisadores carregam RNAs de silenciamento, pequenas moléculas capazes de reduzir a atividade de alvos envolvidos na resposta imunológica que contribui para a destruição dos melanócitos.

Elas também carregam piperina, uma substância associada ao estímulo da produção de melanina. As nanopartículas funcionam como uma espécie de veículo. Isso é importante porque as moléculas de RNA, quando aplicadas sozinhas, têm dificuldade para atravessar a barreira da pele e podem ser rapidamente degradadas.

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15 dias de tratamento

Para testar a tecnologia, os pesquisadores induziram o desenvolvimento de vitiligo nos camundongos. Depois, os animais receberam durante 15 dias consecutivos as nanopartículas contendo o medicamento e os RNAs de silenciamento.

Segundo a USP, os resultados mostraram que o tratamento conseguiu diminuir a resposta imunológica responsável pelo ataque às células produtoras de melanina, restaurar mecanismos de autorregulação e promover a repigmentação da pele.

A tecnologia agora é alvo de pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Próximo passo: testes em humanos

Apesar do resultado animador, os próprios pesquisadores fazem questão de pedir cautela porque o tratamento foi testado até agora em um modelo animal e isso não significa que terá o mesmo resultado em pessoas.

A professora Maria Vitória Bentley explicou ao Jornal da USP que a resposta humana pode ser diferente, embora os primeiros resultados indiquem que vale a pena continuar desenvolvendo a tecnologia.

O próximo passo pretendido pela equipe é justamente chegar aos testes em seres humanos.

Tratamento pode ter custo acessível

Outro objetivo dos pesquisadores é desenvolver uma tecnologia que possa ser acessível caso, no futuro, ela se mostre segura e eficaz para pacientes.

Segundo Maria Vitória Bentley, a base utilizada para fabricar as nanopartículas é relativamente barata e a piperina empregada no tratamento é sintética.

O componente que ainda encarece a tecnologia são as moléculas de RNA de silenciamento.

A equipe também publicou, em maio de 2026, uma revisão científica na revista Clinical Reviews in Allergy & Immunology sobre novas estratégias para o tratamento do vitiligo.

O artigo mostra que abordagens que combinam nanotecnologia, modulação do sistema imunológico e estímulo à regeneração dos melanócitos estão entre os caminhos estudados para conseguir tratamentos mais direcionados e duradouros.

Pesquisadores da USP desenvolveram nanopartículas que conseguiram reduzir a resposta imunológica ligada ao vitiligo e estimular a volta da pigmentação em testes com camundongos em 15 dias. - Foto: James Heilman, MD/Wikimedia Commons
Pesquisadores da USP desenvolveram nanopartículas que conseguiram reduzir a resposta imunológica ligada ao vitiligo e estimular a volta da pigmentação em testes com camundongos em 15 dias. – Foto: James Heilman, MD/Wikimedia Commons
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