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Novas “canetas para músculos” estão em testes para recuperar a perda muscular do envelhecimento

Lorena Fassina
01 / 09 / 2026 às 11 : 09
Idoso faz treino de força em academia. Novos medicamentos injetáveis estão sendo estudados para recuperar a massa muscular perdida durante o envelhecimento. - Foto: Ketut Subiyanto/Pexels
Idoso faz treino de força em academia. Novos medicamentos injetáveis estão sendo estudados para recuperar a massa muscular perdida durante o envelhecimento. - Foto: Ketut Subiyanto/Pexels

A ciência prepara “canetas para músculos”, novos medicamentos injetáveis para preservar ou recuperar músculos perdidos com o envelhecimento, a sarcopenia. Tudo sem anabolizante. Mais de 40 substâncias estão em estudo atualmente.

Entre as candidatas mais avançadas estão substâncias como bimagrumab, da Eli Lilly, e trevogrumab, da Regeneron. Elas atuam sobre mecanismos do organismo que controlam o crescimento e a manutenção do tecido muscular.

“Temos uma sociedade que envelhece e precisa se manter saudável, ativa e independente. Preservar os músculos é essencial”, explicou Felipe Henning Gaia, chefe do Serviço de Endocrinologia Oncológica do A.C.Camargo Cancer Center e presidente da regional paulista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, ao jornal O Globo.

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Como as ‘canetas para músculos’ funcionariam

Parte das drogas em desenvolvimento tenta bloquear proteínas que naturalmente limitam o crescimento muscular. Uma delas é a miostatina, substância produzida pelo próprio organismo que atua como uma espécie de freio para os músculos.

O trevogrumab, por exemplo, é um anticorpo desenvolvido para bloquear a miostatina. Em um estudo de fase 2 com pessoas com obesidade, pesquisadores avaliaram o medicamento em combinação com semaglutida, princípio ativo de canetas emagrecedoras.

Após 26 semanas, a Regeneron informou que a combinação conseguiu evitar aproximadamente metade da perda de massa magra observada com a semaglutida sozinha. Os resultados são promissores, mas ainda considerados preliminares e precisam ser confirmados em estudos maiores.

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Outra substância é testada com semaglutida

O bimagrumab também está sendo estudado para preservar ou aumentar massa muscular durante o emagrecimento.

Um ensaio clínico de fase 2 patrocinado pela Eli Lilly reuniu 507 adultos com sobrepeso ou obesidade e comparou diferentes combinações de bimagrumab e semaglutida. O estudo foi concluído e analisou, entre outros pontos, as mudanças na quantidade de gordura e massa magra dos participantes.

Outra pesquisa, conduzida pelo Massachusetts General Hospital, está avaliando a combinação de bimagrumab com tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, para descobrir se é possível reduzir peso preservando melhor os músculos e os ossos.

Perda muscular aumenta com a idade

A busca por esses medicamentos também está relacionada à sarcopenia, nome dado à redução progressiva de massa, força e função muscular que pode acontecer com o avanço da idade.

A perda de músculos pode comprometer mobilidade e autonomia, além de aumentar o risco de quedas e fragilidade. Por isso, preservar massa muscular se torna especialmente importante entre pessoas mais velhas.

O problema também passou a receber mais atenção com a popularização das canetas emagrecedoras. Medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 ajudam a reduzir principalmente gordura, mas parte do peso perdido pode incluir massa magra.

Ainda não estão disponíveis

Apesar do apelido, ainda não existe uma “caneta para músculos” aprovada e disponível nas farmácias para combater a perda muscular do envelhecimento.

Boa parte das substâncias está sendo administrada por injeção durante os estudos clínicos. O formato final dos medicamentos ainda dependerá dos resultados dos testes, da definição das doses e das aprovações das agências reguladoras.

Os pesquisadores também ressaltam que aumentar ou preservar a quantidade de tecido muscular não significa necessariamente recuperar força e função. Candidatos anteriores chegaram a aumentar massa magra, mas tiveram o desenvolvimento interrompido quando não conseguiram demonstrar benefícios funcionais suficientes ou apresentaram efeitos adversos.

Exercício continua fundamental

Mesmo que essas drogas sejam aprovadas no futuro, especialistas não esperam que substituam musculação e outras formas de atividade física.

“Não são para ganho extra de massa muscular. Não serão uma bala de prata”, afirmou o endocrinologista Clayton Macedo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ao comentar os medicamentos em desenvolvimento.

Os próximos estudos terão de mostrar se as substâncias conseguem preservar músculos e também se esse ganho se traduz em força, mobilidade e segurança para os pacientes. Só depois dessas etapas será possível saber quais delas poderão chegar ao mercado.

Idoso faz treino de força em academia. Novos medicamentos injetáveis estão sendo estudados para preservar massa muscular durante o envelhecimento. - Foto: Ketut Subiyanto/Pexels
Idoso faz treino de força em academia. Novos medicamentos injetáveis estão sendo estudados para preservar massa muscular durante o envelhecimento. – Foto: Ketut Subiyanto/Pexels
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