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Vacina brasileira contra nicotina pode ajudar a combater vício de fumantes; pesquisa

Lorena Fassina
31 / 08 / 2026 às 12 : 06
Pesquisadores do laboratório Cristália desenvolvem vacina contra nicotina que poderá ajudar a evitar recaídas durante o tratamento do tabagismo. - Fotos: Canva
Pesquisadores do laboratório Cristália desenvolvem vacina contra nicotina que poderá ajudar a evitar recaídas durante o tratamento do tabagismo. - Fotos: Canva

Em Itapira, no interior de São Paulo, pesquisadores do laboratório brasileiro Cristália desenvolvem uma vacina contra nicotina para ajudar pessoas que querem parar de fumar a evitar recaídas. O projeto está em uma fase inicial de pesquisa e, até agora, foi testado somente em animais. O Cristália é o mesmo laboratório que produz a polilaminina, da doutora Tatiana Sampaio.

“Nossa vacina foi concebida para interromper esse ciclo ao impedir que a nicotina chegue ao cérebro em quantidade suficiente para ativar esse mecanismo”, explicou o médico Ogari Pacheco, fundador do Cristália e responsável pela ideia que deu origem ao projeto.

Os primeiros resultados foram apresentados pelo laboratório na última quinta-feira (27), em Jaguariúna (SP). A pesquisa começou em maio de 2024 e está na etapa chamada Early Discovery, quando os cientistas selecionam os protótipos mais promissores e avaliam como eles funcionam em modelos experimentais.

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Como a vacina contra nicotina funciona

A proposta é fazer com que o próprio sistema imunológico produza anticorpos capazes de reconhecer e capturar a nicotina ainda na corrente sanguínea.

Normalmente, a molécula da nicotina é pequena demais para provocar uma resposta do sistema imune. Na tecnologia pesquisada pelo Cristália, ela é ligada a uma estrutura que consegue ser reconhecida pelo organismo, estimulando a produção de anticorpos específicos.

Se a pessoa entrar em contato com nicotina depois da vacinação, esses anticorpos teriam a função de segurá-la no sangue e reduzir a quantidade que chega ao cérebro. Com isso, a substância não ativaria da mesma forma os mecanismos relacionados à liberação de dopamina e à sensação de prazer associada ao consumo.

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Objetivo é ajudar a evitar recaídas

A vacina não está sendo desenvolvida para substituir os tratamentos usados para parar de fumar. Segundo os pesquisadores, a ideia é funcionar como uma ferramenta adicional para quem já decidiu abandonar a nicotina.

O principal alvo são as recaídas. Mesmo depois de um período sem fumar, o contato novamente com a nicotina pode ativar o sistema de recompensa do cérebro e favorecer a retomada do consumo.

“A vacina antitabagismo não substitui o tratamento: ela protege a continuidade dele”, afirmou Ogari Pacheco.

Testes ainda foram feitos apenas em animais

Nos experimentos realizados até agora, os antígenos desenvolvidos pelo laboratório estimularam a produção de anticorpos específicos contra a nicotina. Segundo o Cristália, o medicamento também conseguiu impedir a adicção em um modelo experimental com animais.

Esses resultados, porém, ainda são preliminares. A pesquisa não chegou à fase de testes em seres humanos e os dados também ainda não foram publicados em uma revista científica revisada por pares.

O laboratório informou que está reunindo os resultados para fazer o pedido de patente da tecnologia. A publicação científica deverá acontecer depois desse depósito.

O que falta antes dos testes em humanos

Antes de chegar aos voluntários, a vacina contra nicotina ainda precisa concluir estudos pré-clínicos de eficácia e segurança. Depois, serão necessárias etapas de desenvolvimento da formulação, aumento da escala de produção e preparação para os estudos clínicos.

Somente após essa fase poderão começar os testes em humanos, que precisarão avaliar segurança e eficácia antes de um eventual pedido de registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Por enquanto, não existe previsão de quando a vacina poderá estar disponível para pacientes.

Pesquisadores do Cristália desenvolvem vacina contra nicotina que poderá ajudar a evitar recaídas durante o tratamento do tabagismo. Foto: Canva
Pesquisadores do Cristália desenvolvem vacina contra nicotina que poderá ajudar a evitar recaídas durante o tratamento do tabagismo. Foto: Canva
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