Novo Desenrola Brasil pode dar 90% de desconto nas dívidas e beneficiar 15 milhões de brasileiros; veja quem tem direito

Uma oportunidade para milhões de brasileiros que estão endividados. O novo Desenrola Brasil, anunciado pelo governo federal nesta sexta-feira (25), poderá conceder descontos de até 90% para quitar dívidas antigas. Dependendo da negociação, uma conta de R$ 5 mil poderá ser encerrada por apenas R$ 500.
A novidade é que o governo pretende comprar dívidas de bancos e empresas com grandes descontos e repassar a economia aos consumidores. A expectativa é de que até 15 milhões de brasileiros serão beneficiados e poderão pagar as dívidas à vista ou parcelar o saldo, com cobrança de juros. Pelo menos 55% correspondem a dívidas não bancárias, como contas de água, luz, telefonia e débitos no varejo.
As dívidas de serviços de água, luz e energia representam 20% do total, informam os dados apresentados durante o ato de assinatura da medida provisória. A novidade foi anunciada pelo presidente Lula, em São Paulo. Nesta terceira fase do Desenrola, o governo poderá comprar dívidas antigas de bancos e empresas, com descontos de pelo menos 90%, e oferecer condições especiais para que as famílias consigam quitá-las. A previsão é que as primeiras renegociações comecem em fevereiro de 2027.
Quanto você poderá economizar
O benefício será destinado principalmente a pessoas com dívidas originalmente inferiores a R$ 10 mil, atrasadas há mais de dois anos e menos de quatro anos e meio. O principal atrativo do novo Desenrola é a possibilidade de eliminar grande parte de uma dívida antiga. Para entender o tamanho da economia, basta imaginar uma família que deixou de pagar uma dívida de R$ 5 mil.
Com um desconto de 90%, ela poderá quitar o débito pagando R$ 500. A economia seria de R$ 4.500. Se a dívida for de R$ 8 mil e receber o mesmo desconto, o valor cairá para R$ 800. São exemplos de quanto os consumidores poderão economizar. O desconto efetivo dependerá da negociação e das regras do programa. Portanto, nem todas as dívidas terão necessariamente uma redução de 90%.
Também será possível parcelar o saldo, mas, nessa modalidade, haverá cobrança de juros. As taxas e os prazos ainda serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional.
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Como o governo vai conseguir os descontos
Desta vez, o Desenrola terá um funcionamento diferente. Em vez de deixar cada consumidor negociar diretamente com o banco ou a empresa, o governo poderá comprar grandes conjuntos de dívidas antigas. As instituições interessadas terão de participar de leilões e oferecer descontos de pelo menos 90%. As propostas com os maiores abatimentos terão prioridade.
Segundo o governo, o objetivo é repassar integralmente às famílias os descontos conseguidos nessas negociações. Na prática, a União poderá comprar por R$ 1 milhão um conjunto de dívidas que originalmente somavam R$ 10 milhões, caso consiga um desconto de 90%.
Depois, oferecerá condições para que os consumidores quitem os débitos incluídos nesse conjunto. O governo pretende destinar até R$ 15 bilhões à compra de dívidas. A estimativa oficial é alcançar até R$ 150 bilhões em débitos elegíveis e conseguir renegociar efetivamente R$ 75 bilhões, considerando a adesão de empresas e consumidores.
Quem terá direito
As regras gerais estabelecem que poderão ser incluídas dívidas de pessoas físicas com valor original inferior a R$ 10 mil, vencidas há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias, considerando a data de 25 de setembro de 2026.
Isso significa que o programa está voltado principalmente a quem acumula dívidas antigas, mas ainda encontra dificuldades para negociar valores elevados.
O Ministério da Fazenda ainda poderá estabelecer critérios adicionais de renda e prioridade, além de permitir algumas exceções aos limites de valor e tempo de atraso.
Quando começam as negociações
Quem está endividado precisará esperar mais alguns meses. O anúncio do programa não significa que os descontos já estejam disponíveis.
O cronograma apresentado pelo governo prevê a publicação do chamamento para os credores em novembro deste ano. Em dezembro, bancos e empresas deverão apresentar as propostas de venda das dívidas.
Em janeiro de 2027, o governo pretende selecionar as propostas. A previsão é que os contratos sejam assinados em fevereiro, quando deverão começar as ofertas de renegociação aos consumidores. Ainda não foi divulgado um canal específico de inscrição para o Desenrola 3.0. Por isso, os consumidores devem aguardar as orientações oficiais e desconfiar de mensagens que prometam descontos imediatos ou exijam pagamentos antecipados.
83,9 milhões de brasileiros negativados
O novo programa chega em um momento em que milhões de famílias enfrentam dificuldades financeiras.
Dados do Tesouro Nacional mostram que o Brasil tinha 83,9 milhões de pessoas negativadas em agosto deste ano.
O estoque de dívidas com até cinco anos de atraso chegava a R$ 592 bilhões. Em média, cada pessoa negativada acumulava quatro dívidas, que somavam R$ 7 mil.
Desse total, 55% correspondiam a dívidas não bancárias, como contas de água, luz, telefonia e compras no comércio.
As duas fases anteriores do Desenrola já atenderam, segundo o governo, 25 milhões de brasileiros. A terceira fase pretende alcançar até 15 milhões de pessoas e terá duração prevista até 30 de junho de 2028.

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