“Células zumbis”: cientistas descobrem por que elas aumentam com o envelhecimento e como eliminá-las

Cientistas dos EUA descobriram por que as chamadas “células zumbis” se acumulam no organismo com o envelhecimento humano e identificaram um caminho que pode ajudar a eliminá-las. A descoberta, divulgada nesta segunda-feira (5), pode abrir novas possibilidades para combater doenças relacionadas ao envelhecimento.
O estudo foi realizado por pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Nature Aging. A equipe descobriu que, com a idade, um importante sistema de limpeza e reciclagem das células perde a eficiência. E o problema ocorre em duas frentes:
Esse mecanismo enfraquece nas próprias células zumbis e também nas células de defesa responsáveis por encontrá-las e eliminá-las. Em testes com camundongos, os cientistas conseguiram restaurar parte desse processo e melhorar a capacidade do organismo de remover essas células.
Mas o que são “células zumbis”?
O nome parece assustador, mas ajuda a explicar o fenômeno. O termo popular é usado para descrever células senescentes. Elas envelheceram ou sofreram algum dano e pararam de se dividir, mas não morreram.
Em vez de serem eliminadas pelo organismo, elas permanecem nos tecidos e podem liberar substâncias inflamatórias ao redor delas.
E, com o passar dos anos, essas células se acumulam e ficam associadas à inflamação crônica, ao envelhecimento dos tecidos e a várias doenças relacionadas à idade.
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Por que elas aumentam
O novo estudo investigou um processo chamado autofagia mediada por chaperonas, conhecido pela sigla CMA. Ele funciona como uma espécie de sistema de controle de qualidade dentro das células: identifica determinadas proteínas danificadas ou desnecessárias e ajuda a destruí-las e reciclá-las.
Os pesquisadores descobriram que a atividade desse sistema diminui nas células senescentes. Ao mesmo tempo, a CMA também perde eficiência em células do sistema imunológico responsáveis por eliminar as células envelhecidas.
Ou seja, o organismo passa a produzir um ambiente favorável ao acúmulo: as células zumbis resistem mais e o sistema de defesa fica menos eficiente para retirá-las de circulação.
Cientistas conseguiram melhorar a limpeza
A parte mais animadora veio nos testes realizados em animais. Quando os pesquisadores aumentaram a atividade desse sistema de reciclagem celular, conseguiram melhorar a capacidade de determinadas células imunológicas de reconhecer e eliminar as células senescentes.
Os resultados sugerem que restaurar esse mecanismo pode se tornar uma estratégia para reduzir o acúmulo das células zumbis no organismo.
Apesar dos resultados promissores, a descoberta ainda não significa que exista uma terapia para o tratamento para pessoas.

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