Após 30 anos dos caras-pintadas, UNE aprova apoio a Lula no 2º turno e estudantes voltam às ruas; vídeo

O Brasil acordou de novo. A UNE, União Nacional dos Estudantes, aprovou nesta terça (6), apoio à reeleição do presidente Lula para mobilizar estudantes de universidades do Brasil inteiro. Mais de três décadas depois de a entidade encabeçar os caras-pintadas, que tomaram as ruas e se tornarem símbolo do impeachment do então presidente Fernando Collor, uma nova geração de estudantes brasileiros começa a ocupar universidades e ruas em várias partes do Brasil em um novo movimento decisivo para o país.
“O movimento estudantil brasileiro sempre esteve na linha de frente na luta pelas liberdades democráticas e não se ausentará do seu papel histórico neste momento tão decisivo! Derrotar o projeto da extrema-direita é fundamental para reconstruir o Brasil, garantir investimentos na universidade pública, na ciência, no ProUni e no FIES”, diz a nota da UNE postada nas redes sociais. Veja abaixo.
Só nesta terça-feira, 6 de outubro, foram registradas pelo menos 10 manifestações estudantis em 5 estados brasileiros. E vem mais por aí: um calendário nacional já reúne mais de 40 mobilizações em 14 estados e no Distrito Federal até o dia 13, uma semana antes do segundo turno das eleições. São manifestações, assembleias e plenárias em apoio ao presidente Lula no segundo turno e contra Flávio Bolsonaro, que segundo eles representa “a volta do autoritarismo no Brasil”.
As novas manifestações
O movimento ainda está no início e tem dimensões diferentes daquele de 1992. Mas a imagem de jovens deixando as salas de aula, indo para as ruas e entrando diretamente no debate sobre o futuro político do Brasil reacende a força da juventude engajada.
Na noite de segunda-feira, 5, estudantes da Universidade Federal Fluminense, a UFF, saíram do campus do Gragoatá e caminharam pelas ruas de Niterói, no Rio de Janeiro. O ato foi realizado um dia depois do primeiro turno e reuniu jovens em apoio à candidatura de Lula. Entre as mensagens defendidas pelos manifestantes estava a necessidade de evitar, segundo eles, a “volta do autoritarismo” no país.
Nesta terça-feira, novas atividades foram realizadas no Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Paraná e Amazonas. A agenda nacional inclui universidades como USP, UFRJ, UFBA, UFMG, UFRGS, UFPA, UFAM, UFPE e UnB. A mobilização também começa a receber a participação de trabalhadores. As principais centrais sindicais anunciaram apoio a Lula no segundo turno e convocaram sindicatos e trabalhadores para ações nos locais de trabalho, bairros, periferias e ruas.
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Os caras-pintadas
Em 1992, estudantes de todo o país pintaram o rosto, ocuparam avenidas e pressionaram pelo afastamento de Fernando Collor, em meio às denúncias investigadas por uma CPI no Congresso. A mobilização estudantil teve papel importante na pressão popular pelo impeachment e cresceu rapidamente.
No dia 21 de agosto daquele ano, cerca de 40 mil estudantes cariocas, convocados pela União Nacional dos Estudantes, a UNE, foram às ruas pedir o impeachment de Collor. Dias depois, as manifestações se multiplicaram pelo país. Os jovens ficaram conhecidos como caras-pintadas porque muitos pintavam o rosto com as cores do Brasil.
Dias antes, Collor havia pedido aos apoiadores que vestissem verde e amarelo em defesa do governo. Em 16 de agosto, porém, milhares de manifestantes tomaram as ruas vestidos de preto e com os rostos pintados, pedindo a saída do presidente.
A mobilização entrou para a história
Em 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment.
Collor foi afastado do cargo.
Em 29 de dezembro, ele renunciou à Presidência, mas o julgamento continuou e, no dia seguinte, o Senado decidiu pela perda dos direitos políticos dele por oito anos.
Os estudantes de agora
Agora, 34 anos depois, a UNE e estudantes de várias universidades voltam a participar de uma mobilização nacional em torno da Presidência da República, mas em uma situação completamente diferente.
Em 1992, os jovens pressionavam pelo impeachment de um presidente em exercício. Em 2026, as mobilizações ocorrem durante uma eleição presidencial e buscam convencer eleitores e ampliar a participação política no segundo turno.
São duas épocas, duas pautas e contextos diferentes. O ponto em comum está na atitude da juventude para se posicionar em defesa do Brasil e da democracia no nosso país.
Assista aos vídeos das manifestações no país
No Rio de Janeiro:
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Em Pernambuco:
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A decisão da UNE:
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Petroleiros da Baixada Santista:
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Linha fina:

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