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Idoso cego de 69 anos conquista faixa azul no jiu-jitsu e emociona colegas: “Cada um aqui é igual”; video

Lorena Fassina
30 / 10 / 2026 às 08 : 40
Seu Clodomir, de 69 anos, recebeu a faixa azul no jiu-jitsu e emocionou os colegas com um discurso sobre igualdade e respeito em Brasília. Foto: Reprodução/Instagram @dojorufino_
Seu Clodomir, de 69 anos, recebeu a faixa azul no jiu-jitsu e emocionou os colegas com um discurso sobre igualdade e respeito em Brasília. Foto: Reprodução/Instagram @dojorufino_

Um idoso cego de 69 anos conquistou a faixa azul no jiu-jitsu há três dias, na terça-feira (27), durante uma cerimônia no Dojo Rufino, em Brasília, no Distrito Federal. Conhecido como Seu Clodomir, ele emocionou os colegas com um discurso sobre igualdade, respeito e amizade. A conquista foi celebrada com aplausos e muito carinho pelos companheiros de treino.

Na hora da entrega, o professor Francisco Rufino orientou Clodomir pela voz até o local da graduação. Quando o aluno se aproximou, veio a brincadeira: “Tá pensando que só o céu que é azul?”. A frase anunciava a conquista da faixa azul, a primeira graduação colorida do jiu-jitsu adulto. Ovacionado pelos colegas, o atleta agradeceu e fez um discurso sobre o que aprendeu dentro e fora do tatame.

“Eu aqui não vejo graduação, eu vejo pessoas, gente. Cada um aqui é igual”, declarou Seu Clodomir. Ele contou que considera a academia uma segunda casa, onde todos se ajudam e aprendem juntos. O idoso também agradeceu aos professores e companheiros por cuidarem uns dos outros durante os treinos e afirmou que pretende continuar praticando o esporte com dedicação e respeito.

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Professor orienta aluno cego durante graduação

A cerimônia de graduação foi registrada em vídeo e publicada pelo perfil do Dojo Rufino no Instagram.

Na gravação, o professor chama Seu Clodomir e orienta o aluno até o local onde receberia a nova faixa.

“Segue minha voz aqui, pode vir pra você receber sua nova graduação. Pode vir, segue minha voz, pode vir em frente”, diz.

Quando o atleta chega, o professor faz uma brincadeira com a cor da faixa.

“Tá pensando que só o céu que é azul?”

A entrega é acompanhada pelos colegas, que celebram a conquista do idoso.

A faixa azul representa uma nova etapa na trajetória de Clodomir, que continua treinando aos 69 anos.

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“Aqui é minha segunda casa”, diz Seu Clodomir

Depois de receber a faixa, o idoso cego de 69 anos fez questão de agradecer aos companheiros de treino.

Ele contou que não enxerga diferenças entre os colegas por causa das graduações e valoriza, acima de tudo, o respeito entre as pessoas.

“Eu aqui não vejo graduação, eu vejo pessoas, gente. Cada um aqui é igual, a gente aqui é equânime”, afirmou.

Seu Clodomir também explicou que a academia representa muito mais do que um lugar para praticar exercícios.

“Aqui é minha casa. Eu tenho a minha casa, onde eu resido, mas aqui é minha segunda casa”, declarou.

Ele falou sobre a confiança construída com os companheiros e a importância de encontrar pessoas dispostas a ajudar.

“Quando eu caio, elas me levantam, me ajudam a levantar. Quando eu derrubo, eu faço o mesmo.”

Em seguida, fez uma reflexão sobre o aprendizado no esporte.

“Aqui ninguém cai. As pessoas arrumam mais uma técnica, como levantar melhor.”

Idoso destaca respeito e cuidado nos treinos

Durante o discurso, Clodomir contou que treina de segunda a sexta-feira e nunca sofreu uma lesão.

Ele atribuiu isso ao cuidado dos colegas, que respeitam os limites uns dos outros durante as atividades.

“Nunca me lesionei, e isso graças ao comportamento de cada um aqui, que sabe cuidar do outro”, afirmou.

Para ele, o respeito entre os praticantes é tão importante quanto aprender novas técnicas.

“Cuidar é o mais importante que o esporte, porque você faz esporte a vida toda. E aqui a gente é cuidado, a gente é educado e a gente sai melhor do que quando entra.”

O atleta também demonstrou gratidão ao professor Francisco Rufino e a todos que participam da rotina da academia.

Faixa azul marca nova etapa no jiu-jitsu

A conquista da faixa azul no jiu-jitsu representa o reconhecimento da evolução técnica e da dedicação do aluno.

Seu Clodomir contou que pretende permanecer nessa graduação pelo tempo necessário, sem pressa de avançar para a próxima.

“Essa faixa azul com certeza segurarei ela na cintura um bom tempo, mas com louvor, com dedicação e com respeito. Não a ela, mas ao mestre aqui e a todos vocês”, disse.

Antes de encerrar, ele deixou uma reflexão sobre a importância de continuar aprendendo.

“Então eu tô me preparando pra vida. Como a gente nunca está preparado, ficarei eternamente grato a vocês pelo aprendizado.”

A graduação de Seu Clodomir foi muito além de uma troca de faixa. O discurso mostrou como o esporte pode criar vínculos de amizade, confiança e acolhimento, independentemente da idade ou da deficiência.

E, para quem acompanhou a cerimônia, ficou a mensagem do novo faixa-azul: dentro do tatame, todos têm algo a ensinar e a aprender.

Veja o vídeo:

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