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Eleições nos EUA: Obama, Flávio e inflação provocam votação antecipada recorde e podem enfraquecer Trump

Rinaldo de Oliveira
02 / 11 / 2026 às 11 : 02
Eleições nos EUA já mobilizaram mais de 53 milhões de eleitores. Obama volta aos palanques para apoiar democratas, e Trump se desgasta com imigrantes após acolher Flávio Bolsonaro. - Fotos: NICK HAGEN/AFP / Truth Social
Eleições nos EUA já mobilizaram mais de 53 milhões de eleitores. Obama volta aos palanques para apoiar democratas, e Trump se desgasta com imigrantes após acolher Flávio Bolsonaro. - Fotos: NICK HAGEN/AFP / Truth Social

As eleições nos EUA, nesta terça-feira, 3 de novembro, podem tirar a maioria de Donald Trump no Congresso e enfraquecer o presidente nos dois últimos anos do mandato. O ex-presidente Barack Obama voltou às ruas para impulsionar os democratas. Outros pontos que pesam contra Trump são a guerra contra o Irã, em que ele gastou US$ 37,5 bilhões, o aumento da inflação no país e recentemente o abrigo dado a Flávio Bolsonaro, que fugiu do Brasil para os EUA após ser derrotado nas eleições brasileiras.

Nos Estados Unidos o tema imigração é sensível. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara e vários congressistas apontam uma forte contradição na postura de Trump. Eles argumentam que a administração republicana adota políticas imigratórias extremamente rígidas e nega asilo a refugiados, mas “estende o tapete vermelho” e concede vistos rápidos para aliados políticos, como Flávio Bolsonaro.

Isso fez o povo correr para votar. A votação antecipada já bateu recorde: mais de 53 milhões de norte-americanos foram às urnas antes do dia oficial da eleição. Nos 27 estados que divulgam a filiação partidária dos votantes antecipados, 43,1% dos votos registrados vieram de eleitores cadastrados como democratas, contra 31,7% de republicanos. Esses números não revelam em quem cada pessoa votou, mas mostram uma mobilização importante às vésperas da eleição que renovará as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. A disputa pode mudar o equilíbrio de forças em Washington e dificultar a aprovação de projetos defendidos por Trump.

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Democratas lideram pesquisas

O levantamento do Election Lab mostra que, entre os eleitores antecipados dos 27 estados que informaram filiação partidária, aproximadamente 43% são democratas, 31,7% republicanos e 25% independentes ou de outras legendas. Esses percentuais mostram o partido ao qual os eleitores estão registrados, não necessariamente em quem votaram.

As pesquisas nacionais também mostram vantagem dos democratas nas intenções de voto para o Congresso.

No Senado, a disputa é mais apertada, embora modelos eleitorais também indiquem a possibilidade de mudança no controle da Casa.

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Obama volta aos palanques para ajudar os democratas

O ex-presidente Barack Obama voltou a aparecer em público nos últimos dias para impulsionar os candidatos democratas e tentar ampliar a participação dos eleitores nas eleições de terça-feira. Neste sábado, 24 de outubro, ele participou de dois grandes comícios, em Cleveland, no estado de Ohio, e em Detroit, no Michigan. Milhares de pessoas compareceram aos eventos para ouvir o ex-presidente, que fez críticas ao governo Trump.

Em Cleveland, Obama afirmou que os eleitores tinham a oportunidade de dizer basta ao que classificou como dois anos de caos, crueldade, corrupção e incompetência. Ele também criticou o aumento do custo de vida e o comportamento de integrantes do governo republicano. Em Michigan, Obama pediu votos para Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado, e Jocelyn Benson, candidata ao governo estadual. O ex-presidente também criticou as tarifas comerciais impostas por Trump ao Canadá.

Na quarta-feira, 28 de outubro, Obama voltou a discursar, desta vez na Geórgia, em apoio ao senador Jon Ossoff e à candidata ao governo estadual Keisha Lance Bottoms. No discurso, o ex-presidente ironizou as reformas luxuosas promovidas por Trump na Casa Branca e acusou o governo de criar distrações enquanto a população enfrenta dificuldades econômicas.

Obama, que governou os Estados Unidos de 2009 a 2017, continua sendo uma das principais figuras do Partido Democrata. A participação dele na reta final da campanha é uma estratégia da legenda para mobilizar eleitores, especialmente jovens e a população negra.

Entrada de Flávio Bolsonaro gera críticas a Trump

Além das disputas internas, Trump enfrenta críticas pela decisão de autorizar a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, depois da derrota do senador brasileiro para Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro.

O tratamento concedido ao brasileiro provocou reação dos democratas norte-americanos, que questionaram a diferença entre a acolhida oferecida à família Bolsonaro e as dificuldades enfrentadas por estrangeiros que tentam entrar legalmente nos Estados Unidos.

Em 28 de outubro, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, ligado aos democratas, questionou publicamente por que pessoas que fogem das guerras no Sudão e da violência no Haiti enfrentam restrições enquanto Flávio recebeu autorização para permanecer no país.

Green card de Flávio

O jornal norte-americano New York Times também publicou informações sobre a possibilidade de o governo Trump acelerar o processo de obtenção de green card de Flávio Bolsonaro, como teria acontecido anteriormente com Eduardo Bolsonaro. A situação chama atenção porque milhares de estrangeiros enfrentam processos migratórios que podem levar anos até a concessão da residência permanente.

Flávio e a família chegaram a Miami em 28 de outubro e receberam autorização temporária de permanência, conhecida como parole, válida até outubro de 2027. A medida não equivale à concessão de um green card.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que Trump decidiu pessoalmente permitir a entrada do senador, mas negou que o governo tenha organizado diretamente a saída dele do Brasil. A decisão se tornou mais um motivo de questionamento à política migratória de Trump, marcada pelo endurecimento das regras de entrada de estrangeiros.

O que muda para Trump

Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato são realizadas dois anos depois da escolha do presidente. Elas não substituem o chefe do Executivo, mas podem mudar profundamente a capacidade de governar.

Se perder a maioria na Câmara, Trump enfrentará uma oposição com maior poder para fiscalizar os gastos federais, investigar atos do governo e dificultar a aprovação de projetos.

Caso os democratas também conquistem o Senado, poderão interferir diretamente na aprovação de indicações presidenciais para cargos importantes, incluindo integrantes do Judiciário e da administração federal. Atualmente, os republicanos possuem maioria nas duas casas. Para controlar a Câmara, um partido precisa conquistar pelo menos 218 das 435 cadeiras.

Participação recorde

O aumento da participação antecipada já aparece em estados com disputas importantes, como Texas, Maine, Kansas e Michigan. Uma análise da Associated Press identificou crescimento expressivo na votação antecipada nesses estados em comparação com o mesmo período de 2022.

Os números indicam forte mobilização do eleitorado, mas ainda não permitem cravar o resultado final. Parte dos republicanos tradicionalmente prefere votar presencialmente no próprio dia da eleição.

A apuração dos votos começará após o fechamento das urnas nesta terça-feira. Como os horários variam de estado para estado, os resultados das disputas mais apertadas poderão demorar a ser definidos.

Eleições nos EUA já mobilizaram mais de 53 milhões de eleitores. Obama volta aos palanques para apoiar democratas, e Trump se desgasta com imigrantes após acolher Flávio Bolsonaro. - Fotos: NICK HAGEN/AFP / Truth Social
Eleições nos EUA já mobilizaram mais de 53 milhões de eleitores. Obama volta aos palanques para apoiar democratas, e Trump se desgasta com imigrantes após acolher Flávio Bolsonaro. – Fotos: NICK HAGEN/AFP / Truth Social
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