Vacina contra câncer de pâncreas ativa defesa do organismo em 99% dos pacientes em estudo

Uma vacina contra câncer de pâncreas conseguiu ativar o sistema imunológico de 98,9% dos pacientes avaliados em um estudo clínico de fase 2 nos Estados Unidos. Dos 90 participantes que receberam o imunizante experimental e puderam ser analisados, 89 desenvolveram uma resposta das células de defesa contra alterações genéticas associadas ao tumor. O resultado foi publicado na revista científica Nature Medicine.
A vacina, chamada camupepimut (ELI-002 7P), foi desenvolvida para ensinar o organismo a reconhecer sete mutações do gene KRAS, associadas ao desenvolvimento do câncer. A notícia boa é que os pesquisadores conseguiram provocar uma resposta imunológica em quase todos os participantes avaliados. Falta saber se ela também consegue reduzir o risco de retorno da doença.
A pesquisa, liderada por cientistas da Mayo Clinic, reuniu 144 pacientes com câncer de pâncreas que já haviam passado por cirurgia e quimioterapia. Desse total, 96 receberam a vacina e 48 permaneceram em acompanhamento, sem o imunizante. Nenhum apresentava sinais visíveis da doença nos exames de imagem quando entrou no estudo.
Como funciona a vacina contra câncer de pâncreas
Diferentemente das vacinas tradicionais, utilizadas para prevenir doenças infecciosas, a camupepimut está sendo estudada como tratamento complementar para pessoas que já tiveram câncer. Ela contém fragmentos de proteínas que ajudam as células de defesa, chamadas linfócitos T, a identificar alterações no gene KRAS.
Esse gene participa do controle do crescimento celular. Quando sofre determinadas mutações, pode favorecer a multiplicação descontrolada das células e a formação de tumores. A vacina foi projetada para chegar aos linfonodos, estruturas do sistema imunológico onde as células de defesa são ativadas.
Outra vantagem potencial é que o produto não precisa ser fabricado individualmente para cada paciente. A formulação foi desenvolvida para atender pessoas cujos tumores apresentam uma das sete mutações contempladas.
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Pacientes com resposta mais forte ficaram mais tempo sem a doença
Os pesquisadores também observaram que os pacientes com respostas imunológicas mais intensas apresentaram períodos maiores sem sinais de retorno do câncer. Entre os 90 participantes avaliados, 74 desenvolveram uma resposta das células T superior a nove vezes o nível registrado antes da vacinação.
A associação chamou a atenção dos cientistas porque sugere que a intensidade da resposta imunológica pode ajudar a identificar quem tem maior possibilidade de se beneficiar do tratamento.
Uma limitação
Mas o estudo encontrou uma limitação importante.
O tempo mediano sem retorno da doença foi de 23,8 meses entre os vacinados, contra 21,2 meses no grupo que não recebeu a vacina. Essa diferença não foi estatisticamente significativa.
Isso significa que, apesar dos resultados promissores nos exames imunológicos, a pesquisa ainda não demonstrou benefício clínico definitivo.
Próxima etapa: testes com mais pacientes
O oncologista Ben George, da Mayo Clinic e principal autor do estudo, afirmou que o câncer de pâncreas historicamente apresenta grandes dificuldades de tratamento com imunoterapia. “O que é animador é que conseguimos gerar uma forte resposta imunológica contra as mutações do KRAS em quase todos os pacientes avaliados”, explicou o médico, em tradução livre.
Outro resultado chamou a atenção dos pesquisadores: entre os pacientes que puderam ser avaliados pelo menos 46 semanas depois do início do estudo, 95,5% ainda apresentavam resposta imunológica detectável contra o KRAS.
A equipe agora planeja um ensaio clínico de fase 3, com mais participantes, para investigar se a vacina consegue efetivamente retardar ou impedir o retorno do câncer de pâncreas.
A pesquisa foi conduzida em 24 centros médicos dos Estados Unidos e financiada pela empresa de biotecnologia Elicio Therapeutics. O estudo ainda não apresentou resultados conclusivos sobre aumento da expectativa de vida dos pacientes.

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