Alunas de escola pública criam colar inteligente que envia pedido de socorro para proteger mulheres

Quatro alunas de uma escola pública da Bahia criaram um colar inteligente para proteger mulheres em situações de risco. O acessório, chamado Calisto, possui um botão que, ao ser pressionado duas vezes, envia um pedido de socorro com a localização em tempo real para contatos cadastrados. A ideia é permitir que mulheres ameaçadas consigam pedir ajuda de forma rápida e discreta.
O projeto foi desenvolvido pelas estudantes Sophia Alconso, Isabelly Lima, Sofia Guerra e Jasmim de Melo, do Centro Estadual de Educação Profissional em Tecnologia, Informação e Comunicação (CEEPTIC), em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Orientadas pela professora Fabíola Botelho, as jovens criaram o protótipo em aproximadamente um mês, com custo inicial de R$ 80.
A invenção foi divulgada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti) nesta terça-feira (3). O dispositivo ainda está em fase de aperfeiçoamento e não está disponível ao público. As estudantes buscam apoio técnico e parcerias para transformar a ideia em uma ferramenta acessível de proteção.
Como funciona o colar inteligente para proteger mulheres
O Calisto foi pensado para situações em que uma mulher precisa pedir ajuda sem chamar a atenção de um possível agressor. Com dois toques em um botão físico, o acessório aciona um alerta pelo aplicativo conectado.
O sistema permite compartilhar a localização em tempo real com pessoas de confiança previamente cadastradas. Também registra a data e o horário dos acionamentos, além de permitir a personalização das mensagens de emergência.
Segundo a estudante Sofia Guerra, o aplicativo pode funcionar independentemente do colar e oferece uma opção para sinalizar alertas enviados por engano. A equipe também estuda adaptar a tecnologia para emergências envolvendo crianças e idosos.09
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Estudantes criaram o projeto em apenas um mês
A ideia surgiu durante os preparativos para uma feira de ciências. As alunas começaram a discutir problemas enfrentados pela sociedade e decidiram buscar uma solução tecnológica para ajudar mulheres em situações de violência.
“Durante a preparação para a Feira de Ciências, começamos a pensar em algo que pudesse contribuir para melhorar a vida das pessoas, principalmente das mulheres que enfrentam situações de violência”, contou Isabelly Lima, uma das vice-líderes do projeto, à Secti.
Apesar de estudarem no curso técnico em Logística, as jovens precisaram aprender sobre programação e desenvolvimento de dispositivos eletrônicos. Para superar as dificuldades, pesquisaram vídeos, conversaram com professores de robótica e buscaram orientação de ex-alunos e familiares com conhecimentos em tecnologia.
Colar poderá custar entre R$ 40 e R$ 80
O primeiro protótipo custou aproximadamente R$ 80. A estimativa das estudantes é que cada dispositivo possa ser produzido por um valor entre R$ 40 e R$ 80, dependendo dos materiais e das etapas de desenvolvimento.
A proposta prevê o uso de diferentes tecnologias de comunicação, incluindo internet, mensagens SMS e Bluetooth, para ampliar as possibilidades de envio dos alertas.
O objetivo é desenvolver uma ferramenta que possa ser utilizada no cotidiano, sem exigir que a mulher retire o celular da bolsa ou faça uma ligação durante uma situação de ameaça. As funcionalidades ainda precisam ser aperfeiçoadas e validadas antes de uma possível disponibilização ao público.
Jovens buscam apoio para transformar ideia em realidade
As estudantes querem continuar desenvolvendo o Calisto, mas precisam de apoio técnico e parcerias para avançar. O grupo espera receber orientações de profissionais especializados e encontrar maneiras de melhorar o funcionamento do dispositivo.
“Somos estudantes do segundo ano do ensino médio e criamos o projeto com a esperança de que ele possa ajudar outras pessoas”, afirmou Isabelly Lima à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação.
A professora Fabíola Botelho destacou o protagonismo das alunas. Segundo ela, as jovens identificaram um problema, pesquisaram possíveis soluções e assumiram a responsabilidade pelo desenvolvimento do projeto.
Nome do colar foi inspirado na mitologia grega
O nome Calisto foi escolhido a partir de uma personagem da mitologia grega. A ninfa Calisto é associada à constelação da Ursa Maior, que também aparece na identidade visual do projeto.
A referência representa orientação e proteção, duas ideias que as estudantes desejam transmitir com a invenção. Para elas, o acessório deve funcionar como uma ferramenta complementar de segurança.
A iniciativa também mostra a importância de incentivar meninas a participar de projetos de ciência e tecnologia. Com criatividade, pesquisa e dedicação, as quatro estudantes transformaram uma preocupação social em uma proposta de inovação que poderá ajudar outras pessoas no futuro.

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