Aluno que mora embaixo da ponte é nota 10 na escola: quer ser médico

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Comercial
Foto: Agência RBS
Debaixo de uma ponte da BR-116, estrada que liga Porto Alegre ao Interior do Rio Grande do Sul, mora um adolescente que foca toda a sua força nos estudos, na esperança de se formar doutor.
José Luiz Camboim Moni tem 15 anos, pouco menos de 1m70cm e se expressa melhor com um sorriso doce do que com as palavras.
Rodeado pelas dificuldades de quem não tem um endereço formal com CEP e número de residência, José Luiz mora com a mãe, viúva, e dois irmãos.
E supera seus obstáculos com criatividade:
Sem pasta para carregar os livros, ele usa uma mochila que encontrou boiando no Arroio Sapucaia.
Vai à pé para escola:10 minutos de caminhada.
Como não tem um ambiente apropriado em casa para estudar – tem barulho do trem que passa ao lado – ele prefere fazer os deveres na aula.
Estudante da 8ª série, ele preenche o dia com as idas constantes à biblioteca e ao laboratório de informática.
Vida difícil
A miséria, que começou quando o pai morreu atropelado, não impede que José ande sempre no capricho: banho tomado, cabelo aparado, estômago cheio e roupas limpas.
Sozinha, a mãe, Tatiana, 35 anos, cria o garoto e os irmãos Matheus, 13 anos, e Jorge,11 anos, e ainda auxilia a filha mais velha Jéssica, 19 anos, e o neto de três anos, que moram no mesmo terreno.
Tatiana sustenta a casa como carroceira e trabalha em um galpão de reciclagem, onde recebe uns trocados, que dão para as três refeições diárias.
Depois que o marido morreu, pagar as contas ficou cada vez mais complicado, e a mulher que sempre teve teto, quarto, sala, banheiro e cozinha, achou a ponte até que bem aprazível quando ficou sem ter para onde ir.
A família mora na rua há oito meses.
Só Deus
Às 20h a família fecha as portas da casa, que de fora, se assemelha a uma caverna.
Antes de dormir, a mãe retira a Bíblia do criado mudo e lê até adormecer.
O mantra em suas preces é sempre o mesmo: que todos os filhos encontrem o caminho do bem. Sobre os planos para o futuro, fora o de ter um médico na família, nenhum outro.
Ainda não sabe se vai conseguir sair dali tão cedo, mas tem fé.
“Não há mal que dure para sempre, tu não acha?”, pergunta a mãe de José Luiz para a repórter.
Superação
Mesmo com todas as dificuldades José Luiz consegue superar colegas de classe, que certamente não vivem o mesmo drama.
Em 2012, o adolescente recebeu um certificado, por estar entre os melhores alunos.
“Ele se concentra nas atividades e é muito inteligente. Leva tudo a sério. A gente percebe que ele tem consciência de que é preciso se dedicar para haver uma mudança na vida “, avalia a diretora da escola Cláudia Alves.
Com informações do Zero Hora.

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