Idosa na olimpíada de matemática: voltou a estudar

Foto: arquivo pessoal
Uma idosa, que voltou a estudar no ano passado, está entre os 136 mil estudantes paulistas classificados para a segunda fase da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), realizada no último sábado (12).
A estudante Arvelina Volpato Vitorino, de 64 anos, é craque en matemática.
Dona Lina, como é conhecida, está entre as 217 pessoas com mais de 60 anos que fizeram a prova em todo o país.
Modesta, Dona Lina admite que não esperava se classificar para a segunda fase e levou até um susto.
“Fui bem nas aulas, os professores me convidaram e, como sou muito curiosa, resolvi ver como é”, conta.
História
Dona Lina parou de estudar aos 12 anos, quando estava na 4ª série porque trabalhava como babá em uma casa de família em Ilha Solteira (SP) e só poderia estudar no período noturno.
Aos 19 anos, casou-se com Mauro e foi para Jaú (SP). “Eu tinha vontade de estudar, sempre adorei a matemática, mas aí vieram os cinco filhos e não teve como”, contou.
Só com a aposentadoria, no ano passado, ela pôde realizar o sonho de infância e voltar à sala de aula.
Dona Lina se matriculou em uma turma do EJA (Educação de Jovens e Adultos). “Meus filhos, meu marido, meus amigos, todos me apoiaram e eu voltei para a escola. Devo concluir o ensino fundamental até o fim do mês”, conta ela, orgulhosa.
Dona Lina conta que pegou gosto pelos estudos e que pretende cursar o ensino médio e, quem sabe, uma faculdade. “Também vou prestar concurso, quero voltar a ser merendeira. E depois, quem sabe, professora.”
A olimpíada
A OBMEP pretende estimular o interesse pela ciência e de revelar talentos da área independente da faixa etária.
Em todo o país, quase 18 milhões de alunos foram inscritos, sendo que 888,8 mil passaram para a segunda fase.
Os 6,5 mil melhores colocados receberão medalhas de ouro, prata e bronze e serão convidados a participar do PIC (Programa de Iniciação Científica) no ano que vem.
Idosos no Enem
O total de pessoas inscritas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) com idade superior a 60 anos cresceu 41% de 2014 para 2015, totalizando mais de 15,5 mil inscritos.
“Antes, dizia-se que a terceira idade era marcada por um declínio da capacidade de aprendizado. Hoje, vemos, cada vez mais, um envelhecimento ativo. Os idosos de hoje querem oportunidades, querem concretizar seus sonhos”, afirma o gerontologista Fernando Bignardi, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
“Hoje, uma pessoa com 60 anos está apenas começando”, alerta.
Com informações do UOL

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