“Arca de Noé” de pescadores salva 6 mil peixes da lama podre

A operação salvamento está dando certo!
Centenas de pescadores e especialistas se uniram para salvar 20 espécies de peixes como robalos, dourados, corvinas e outras espécies, da lama podre das barragens da mineradora Samarco, em Mariana. Lama que segue o curso pelo Rio Doce e chegou nesta quarta-feira a Colatina, no Espírito Santo.
Pelo menos 6 mil estão à salvo agora. Eles foram soltos em lagoas da região.
Arca de Noé
Batizada pelos próprios pescadores de a Arca de Noé de Colatina, a operação consiste em pescar os peixes, colocá-los em isopores com água e jogá-los dentro de um pequeno açude protegido por barreiras de areia.
O açude construído pelos pecadores do outro lado do Rio Doce, com ajuda de maquinários, é uma espécie de cativeiro da salvação.
Mantê-los em cativeiro foi a alternativa encontrada para não perder o sustento de milhares de famílias depois que a lama tomar conta.
“Dá uma angústia muito grande na gente. Não tem nem o que dizer direito”, contou o pescador Roni Oliveira ao Zero Hora, temendo a morte anunciada do rio.
“Nós fizemos esse poço para botar os peixes para viver. Estamos salvando a vida deles. Vamos continuar trabalhando aqui, salvando os peixinhos, dia e noite, até que a lama chegue”, disse João Correia, o João “Areia”.
A ideia
Diante de mais de uma centena de pescadores, o chefe da Arca de Noé, o fotógrafo — e pescador — Edson Negrelli, explica como surgiu a ideia:
“Foram quatro malucos, incluindo eu, que pensaram nisso. Aí um de nós falou em Arca de Noé. A ideia se espalhou pelos municípios vizinhos, Linhares e Baixo Guandu. Lá também botaram isso em prática. Nunca pensei que essa nossa intenção fosse tomar a proporção que tomou. Graças a Deus estamos conseguindo fazer nossa parte.
Diante de um rio prestes a morrer, Negrelli diz que a ação já salvou mais de 20 espécies diferentes e mais de seis mil peixes. Emocionado, faz um desabafo:
“É incrível a colaboração de todas as pessoas, até de quem não vive do peixe. É um sentimento que não sei explicar. Não sou pescador, mas já vivi 40 anos dentro desse rio pescando. Sempre foi muita fartura. Imaginar que isso tudo acabou agora é muito difícil”, concluiu.
A ação
A ação envolve a participação de pescadores, biólogos, sociedade civil, organizações não governamentais (Ongs) ligadas ao meio ambiente, professores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), empresas privadas, e uma equipe da empresa responsável pelo abastecimento de água na cidade, o Sanear.
O Ibama também participará da ação, que já envolve mais de 50 embarcações.
Segundo equipes que trabalham em Colatina, a captura dos peixes ocorre em três pontos: um no centro da cidade, onde fica o cais; outro na comunidade de Barbados; e outro na comunidade de Maria Ortiz.
Durante os dias de captura, os trabalhos começam às 7h e terminam por volta das 19h. Um grupo de pescadores também está trabalhando durante a noite e madrugada para capturar espécies de grande porte, que possuem hábitos noturnos.
Caminhões estão levando os peixes, em tanques, para duas lagoas da região.
De acordo com o tecnólogo em saneamento ambiental do Sanear de Colatina, Luiz Carlos Dubberstein, trabalhos também estão sendo feitos para impedir a contaminação desses pontos.
“A nossa ação aqui envolve a captura peixes, crustáceos, moluscos, todo o tipos de fauna que temos na bacia do rio. Com a ajuda de órgãos públicos e privados, que possuem maquinários, os canais que trazem a água do rio para essas lagoas estão sendo fechados para impedir a contaminação do ambiente e dos animais”, disse Dubberstein.
Operação da Arca de Noé, que começou nesta sexta-feira (13).

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