Dá pra recuperar Rio Doce da lama podre, mostra projeto

7835
Foto: reprodução/TVGlobo
Foto: reprodução/TVGlobo

Esperança para o Rio Doce!

Um brasileiro de Minas Gerais está liderando um grande projeto de recuperação da área devastada pela enxurrada de lama podre das barragens rompidas da mineradora Samarco.

O fotógrafo e vice-presidente do Instituto Terra, Sebastião Salgado afirma que é possível recuperar 300 mil, das 370 mil nascentes do Rio Doce que estão ameaçadas.

Salvar as nascentes pode devolver água para o rio, lavar a lama que o sufocou – essa é aposta do fotógrafo.

Salgado quer que a empresa responsável pelo desastre financie a recuperação das nascentes em todo o vale do Rio Doce.

“A proposição é de se criar um fundo, um fundo imenso, que nos permita replantar todas as nascentes do Rio Doce. Reconstituindo a reserva legal e instalando um sistema de tratamento de esgoto e captação de lixo em toda a bacia. Nós podemos começar esse projeto imediatamente, e para isso nós necessitamos de um fundo considerável”, disse Salgado ao Jornal Nacional, da TV Globo.

O investimento vai ter de ser proporcional ao tamanho do estrago, como já aconteceu em outras partes do mundo, diz Sebastião Salgado.

Apoio

“Olha, nós já tivemos reunião com os governadores, eu tive uma reunião com a presidente Dilma, que adotou a causa. Ela está extremamente sensibilizada, como tão sensibilizados todos os brasileiros”, Salgado contou.

Aos 72 anos, Sebastião Salgado nos inspira a buscar um ângulo positivo na tragédia.

“Eu espero, antes de morrer, ver esse rio completamente restabelecido, recuperado. Dá pra fazer”, afirma Sebastião.

Resposta

A Vale afirmou que tomou conhecimento da criação do fundo proposto pelo fotógrafo Sebastião Salgado e que está disposta a apoiar, no que for possível, a recuperação do Rio Doce.

O governo anunciou que a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, vai estudar o projeto do fotógrafo.

História 

Salgado saiu jovem de Aimorés e voltou como um dos fotógrafos mais conhecidos do mundo. Ele encontrou a antiga fazenda do pai desfigurada pela criação de gado, sem as matas do tempo de criança e resolveu cuidar das suas raízes, replantando a terra onde nasceu.

Sebastião Salgado devolveu à Fazenda Bulcão dois milhões de mudas de espécies nativas. Junto com o verde, resgatou a água de dezenas de nascentes. Brotou daí o Instituto Terra.

A ONG virou dona da fazenda e se transformou numa forte produtora de mudas da mata atlântica. Um centro que espalha há 17 anos a receita que curou a antiga fazenda dos Salgado.

Jovens técnicos agrícolas, como Cíntia, são formados pelo instituto. Vão de porteira em porteira convencendo agricultores a salvar as nascentes. E isso agora pode ajudar a salvar o próprio Rio Doce.

O Instituto Terra orienta, constrói fossas para tratar o esgoto. Dá até a cerca para o agricultor afastar o gado que pisoteia e sufoca os olhos d’água.

Com R$ 12 mil, consegue salvar duas nascentes, em média, por propriedade.

E aquelas que estão secas há mais tempo, têm volta? Jaider Lopes Oliveira, gerente ambiental do Instituto Terra diz que sim:

“Tem volta. A experiência que nós temos lá também, dentro do Instituto Terra, sete nascentes que não existiam e voltaram a jorrar depois de sete anos”.

Com informações do JornalNacional