Página para denunciar patrões abusados: 80 mil curtidas em 48 h

Tem muito patrão abusado. E eles que se cuidem, porque agora já existe uma página para denunciá-los.
Ela foi criada por uma ex-empregada doméstica, que hoje é professora de história: a paulista Joyce Fernandes, de 31 anos.
Ela criou a hashtag #EuEmpregadaDoméstica e uma página no Facebook, com o mesmo nome, para denunciar o que chamou de “abusos dos patrões”. Em 48 horas a página bateu mais de 80 mil curtidas.
“Joyce, você foi contratada para cozinhar para a minha família, e não para você. Por favor, traga marmita e um par de talheres e, se possível, coma antes de nós na mesa da cozinha; não é por nada; só para a gente manter a ordem da casa.”
Essa foi uma das frases que Joyce ouviu de uma ex-patroa em seu último trabalho como empregada doméstica, em 2009.
“Meu objetivo é provocar e dar voz a quem não tem voz. Esse tipo de tratamento desumano acontece entre quatro paredes e essas mulheres, a maioria negras, não têm com quem desabafar”, disse ela à BBC Brasil.
“Quero expor o que está sendo varrido debaixo do tapete. É preciso humanizar a relação entre patrões e empregados. Muitas vezes, naturalizamos agressões e opressões. Isso está errado”, acrescenta.
Entre as centenas de relatos que recebeu, Joyce diz ter ficado particularmente comovida com o de uma empregada doméstica de 76 anos que teve de subir vários andares de escada porque o elevador de serviço do prédio onde trabalhava havia quebrado. Mas o social estava funcionando.
“O filho dela me contou que a mãe trabalha há 30 anos com a mesma família. Eles moram em um prédio de alto luxo. O elevador de serviço quebrou e, impedida de usar o social, ela acabou tendo de subir vários andares de escada”, diz.
Segundo Joyce, a profissão de empregada doméstica deveria “acabar”, pois se trata de um “resquício da escravidão”.
“Mas enquanto isso não acontece, temos de lutar por um tratamento mais humano e igualitário. Não queremos ser da família. Também não queremos desrespeitar hierarquia. Queremos apenas um tratamento justo”, afirma.
“Infelizmente, para nós, mulheres negras, ser empregada doméstica é algo hereditário. Minha mãe, minha tia e minha avó foram empregadas domésticas. Não é possível disassociar isso da nossa história de escravidão.”
História
Cantora conhecida na cena de rap de Santos, onde vive, Joyce, que se apresenta com o nome artístico Preta-Rara, conta que a campanha ganhou força após ela postar um comentário em sua página no Facebook na última quarta.
“Venho fazendo terapia e, nesse processo de autoconhecimento, tive a ideia de compartilhar uma situação que havia sofrido na minha página no Facebook com a hashtag #EuEmpregadaDoméstica. Queria encorajar pessoas que talvez tivessem passado pela mesma coisa”, lembra.
Final feliz
Mas nem todas as experiências como empregada doméstica foram negativas: Joyce diz lembrar-se do apoio que recebeu de uma ex-patroa.
“Um dia estava limpando a prateleira de livros e ela me emprestou um deles. Era ‘Olga’, do escritor Fernando Morais. Ela me incentivou a retomar os estudos e a fazer a faculdade de História que eu tanto queria”, diz.
Além de lecionar, Joyce criou um projeto de empoderamento de mulheres acima do peso, a Ocupação GGG (“fizemos um ensaio na praia de Santos para combater a gordofobia”). E também usa a música como instrumento de mudança social.
“Tenho um projeto pedagógico pelo qual levo o hip hop para as escolas falando sobre questões sociais dentro de uma abordagem mais pessoal”, afirma.
“Prefiro usar meu microfone para cantar ou recitar a fazer discursos. Acredito que consiga envolver mais pessoas”, conclui.
Com informações da BBC

Estratégia de Janones que fez Lula crescer pode ser copiada pela esquerda no mundo
Anvisa aprova novo medicamento contra câncer de pulmão avançado: age diretamente nas células doentes
Filme “Minha Melhor Amiga” ultrapassa “Ainda Estou Aqui” e bate recorde de público
Estudantes de escola pública criam aplicativo que ajuda crianças a se comunicar e ganham prêmio nacional
Adolescente reconhece choro do cachorro soterrado há 5 dias e bombeiros salvam animal no RJ
Globo terá checagem de fake news no debate de Lula e Flávio hoje mas não vai aparecer na TV; entenda
“Bom diaaa!” Agricultor de 70 anos conversa com família de ratões-do-banhado e derrete corações; vídeo
Vizinhos salvam menina de 3 anos pendurada no 12º andar de prédio na China; vídeo
Debate da Globo terá checagem de fake news online feita pelo ICL Notícias; saiba como assistir
Repórter salva motorista em carro que afundava em enchente na Austrália; vídeo
Médica salva passageira que parou de respirar em avião; correu descalça para socorrer
Desconhecidos salvam corredora que teve parada cardíaca, ela reencontra os heróis e agradece