Nova fábrica gera 1.400 empregos, reaquece comércio e espanta crise

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Foto: divulgação|João Emílio Rocheto - Pres. Bem Brasil - Foto: divulgação
Foto: divulgação|João Emílio Rocheto - Pres. Bem Brasil - Foto: divulgação

 Por Iolanda Nascimento e José Donizete, de Minas Gerais, para o SóNotíciaBoa.

Investir pesado em plena crise é para poucos, ousados e visionários.

Um grande empresário do interior de São Paulo inaugura nesta quarta, dia 15, no interior de Minas Gerais uma fábrica de 400 mil metros quadrados, que custou mais de 200 milhões de reais e vai gerar pelo menos 1.400 novos empregos, diretos e indiretos.

Isso representa quase 10% dos 16 mil habitantes do município de Perdizes, onde foi erguido o empreendimento. A cidade fica a 50 km de Araxá.

E antes mesmo da inauguração, a fábrica já reaqueceu os negócios, o emprego e o comércio de toda a região próxima.

É fácil entender o motivo: o valor investido representa 4 vezes a receita anual de Perdizes, que é de 54 milhões de reais.

A meta do empreendimento também é gigante: produzir ali 250 mil toneladas de batata pré-frita ao ano, o equivalente a 55% do mercado nacional, que é de 425 mil toneladas.

Como

Isso tudo não foi aposta. Uma pesquisa de mercado previu a crise no Brasil após a Copa do Mundo, mas ela mostrou também que havia um mercado enorme a ser explorado.

O levantamento apontou ainda que a primeira fábrica da Bem Brasil, instalada em 2006 em Araxá, chegaria em breve ao seu limite produtivo e vinha sendo desafiada desde 2013 a ampliar sua produção.

Resultado: em vez de impasse, as informações serviram para impulsionar o empresário João Emílio Rocheto – diretor presidente da Bem Brasil – a investir na nova fábrica de Perdizes.

“O país precisa de iniciativas que gerem emprego e renda, e especialmente, fora dos grandes polos industriais, pois fomentam a permanência do trabalho no campo, fixam jovens talentos no eixo em torno do empreendimento e valorizam as pessoas naquilo que elas têm de mais caro, que são suas raízes e seus círculos familiares. As crises passam”, disse ao SóNotíciaBoa.

João Emílio Rocheto - Pres. Bem Brasil - Foto: divulgação

Reflexos na região

Deu certo! Os investimentos na nova fábrica refletiram e reaqueceram a economia nas proximidades de Perdizes.

Os hotéis e pousadas do município e das cidades vizinhas têm registrado um volume de ocupação nos últimos dois anos sem precedentes por um período tão longo.

Os hóspedes são técnicos, executivos e profissionais de diversas áreas que levam para a fábrica materiais de construção, máquinas e equipamentos.

Na Pousada do Arthur, no Centro de Perdizes, a 20 km da nova unidade fabril, o crescimento médio está em torno de 40% desde o começo das obras, com média de ocupação dos leitos dos 14 quartos entre 80% e 90%.

“O ano de 2015 e, principalmente, 2016 foram muito ruins por causa da crise, mas sem essa obra teriam sido muito piores para a nosso hotel e pousada e para toda a cidade”, garante Jose Eleutério, proprietário do Hotel e Pousada Novo Horizonte, também em Perdizes.

O Recanto Hotel e Restaurante, no município vizinho de Santa Juliana, a 40 km, a lotação dos 33 apartamentos tem sido máxima sempre, a ponto de indicarem a demanda excedente a outras hospedarias.

“Os negócios têm sido excelentes também para o nosso restaurante, que atende aos hóspedes e também é aberto para os consumidores externos. O movimento cresceu muito porque muitas pousadas e hotéis não oferecem serviço de alimentação”, diz Andreza da Fonseca Norberto, nutricionista do Recanto.

Investimentos na cidade

Confiantes, os empresários da área de hotelaria já falam em ampliar seus negócios.

“Acredito que o movimento por causa da montagem da fábrica é maior e não irá diminuir tanto após o início da operação porque a Bem Brasil terá de se relacionar com fornecedores e clientes, o que continuará sendo ótimo para toda a região”, afirma Artur Antônio Magalhães, proprietário da Pousada do Artur.

O Recanto Hotel e Restaurante tem planos de expandir a oferta entre 10 e 20 apartamentos, disse Andreza Norberto.

“Aqui, a iniciativa privada começa a se movimentar para, quem sabe em futuro breve, abrir pousadas, hotéis e restaurantes, com a finalidade de prestar esses serviços a fornecedores e visitantes da nova fábrica”, disse o prefeito de Araxá, Fernando Marangoni.

Mais energia

Marangoni está rindo à toa. O repasse de impostos do governo do estado, recolhidos pela fábrica, virão daqui a dois anos.

Esse dinheiro deve aumentar as receitas do município em 8% e provocar novos investimentos em creches, escolas e institutos para formação de mão de obra.

Além disso, até o fim do ano uma nova linha de transmissão de energia será instalada por causa da fábrica.

Isso vai beneficiar todo o entorno e novos empreendimentos poderão ser feitos porque haverá energia elétrica para investir.

E pensar que a abertura de uma fábrica proporcionou tudo isso…

Da redação do SóNotíciaBoa.