Psicanalistas atendem de graça neste sábado em praça de SP

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Foto: Denize Bacoccina / AVidaNoCentro
Foto: Denize Bacoccina / AVidaNoCentro

Psicanalistas estão atendendo de graça pessoas que precisam de ajuda, ou de uma conversa, em São Paulo.

É uma terapia em área aberta, ocupando o espaço público. Eles se reúnem aos sábados para fazer o trabalho terapêutico na Praça Roosevelt, na região central.

“O Brasil sofreu vários golpes, com cerceamento dos espaços públicos. Parece que estamos numa distopia”, disse Augusto Coaracy, um dos psicanalistas do grupo, ao site aVidaNoCentro.

Nos dias das sessões, na hora do almoço, é possível ver várias duplas perto do jardim, sentadas em cadeiras de praia, sob a sombra das árvores, conversando. Nem parece que lá acontecem as terapias.

História

O grupo se formou a partir da experiência da Clínica Aberta de Psicanálise na Casa do Povo, que fica no Bom Retiro, orientada por Tales Ab’Saber.

A turma pioneira neste tipo de trabalho, no entanto, é a Clínica Pública de Psicanálise, na Vila Itororó.

Uma diferença no trabalho realizado na Roosevelt é que os pacientes podem ser atendidos por diferentes psicanalistas a cada vez, não havendo uma obrigatoriedade de manter o mesmo profissional.

Isso também diferencia o trabalho realizado na praça de uma filantropia, ou trabalho voluntário, porque todos os analistas tem a liberdade de poder faltar em algum sábado.

Na prática, segundo eles, o que leva os psicanalistas da Clínica Aberta à praça é fundamentalmente o desejo e o entusiasmo de atender segundo certo compromisso político.

Liberdade

Os psicanalistas também acreditam que a sessão num espaço público, fora do ambiente tradicional dos consultórios, também pode influenciar a maneira de ouvir os pacientes.

“O analista também ganha mais liberdade”, diz a psicanalista Adriana Marino.

Para atender gratuitamente, os psicanalistas também tiveram que ultrapassar barreiras corporativistas, já que alguns colegas consideram que o atendimento voluntário, gratuito, desvaloriza o trabalho profissional.

Isso não muda, no entanto, a disposição dos voluntários, já que o grupo, que começou a atuar em abril, vem ganhando novos adeptos e já conta com 19 integrantes.

Gratuito e acessível

O atendimento gratuito coloca a psicanálise ao alcance mesmo de quem não pode pagar por ela nos consultórios particulares, ou não teria acesso nos poucos serviços públicos disponíveis.

Sonia, moradora da região, chegou no último sábado para sua segunda sessão.

Ela soube do serviço por uma amiga e gostou da experiência de conversar ao ar livre.

Gostou também de não ter que pagar – motivo pelo qual, embora já tenha feito sessões de terapia em outros momento, desta vez procurou o grupo que atende na Praça Roosevelt.

Exercício de resistência

Em tempos de crise tanto econômica quanto de liberdade de expressão, quando muitos se sentem constrangidos para expressar suas opiniões numa sociedade tão polarizada, os organizadores consideram a iniciativa também um exercício político, de resistência.

O analista de sistemas Renato Lazzari faz sessões de psicanálise desde o fim de julho.

Todos os sábados ele se desloca de Santo Amaro, na zona sul, onde mora, até o centro da cidade, para participar da Clínica Aberta de Psicanálise na Praça Roosevelt.

Ele soube da existência do grupo pelo Facebook, e resolveu tentar. Gostou tanto que voltou nas semanas seguintes.

Renato já fez psicanálise em outros momentos da vida, e aprovou esta versão “livre da interferência neoliberal que domina o exercício de todas as profissões”.

Serviço

Os atendimentos acontecem aos sábados entre 11 h e 15h, por ordem de chegada e de acordo com a disponibilidade dos profissionais.

Eles se concentram embaixo do pergolado ou, em dias de chuva, sob a estrutura de madeira do café ou no Espaço Satyros, em frente à praça.

Com informações do aVidaNoCentro