Enem na Rocinha: professores emprestam casas para alunos dormirem

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Foto: Bruno Aragaki/Uol
Foto: Bruno Aragaki/Uol

Professores da Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro estão oferecendo suas próprias casas para os alunos dormirem e não perderem a primeira prova do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – deste domingo, 5.

O motivo é a segurança – ou falta dela. “Durma cedo e em local seguro” é um dos ítens da lista de recomendações feita aos alunos do Pecep, um dos cursinhos comunitários que recebem alunos da maior favela carioca. Para muitos ali, essa recomendação significa passar a noite fora de casa.

Maitê Ramos, 24, foi uma das professoras que ofereceram a própria casa. “Não queremos que vocês percam a prova de novo. Por isso, não tenham vergonha de pedir para dormir em nossas casas. De verdade”, convidou Maitê, professora voluntária, ex-aluna do curso e hoje formada em letras pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Ela disse “de novo”, porque no domingo 17 de setembro, dia do vestibular da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), começaram os conflitos entre traficantes na Rocinha.

Os tiroteios impediram que, ao menos 12 dos 30 moradores da comunidade inscritos no exame, saíssem de casa. E eles perderam a prova.

Alunos se ajudam

Moradora de uma comunidade vizinha à Rocinha, fora do foco dos confrontos, a estudante Daniele Carvalho, 18, convidou duas amigas pra dormir com sua família no dia antes da prova.

“Pedi a meus pais e eles aceitaram na hora. Uma das garotas perdeu a prova da Uerj. Foi muito frustrante”, completa a estudante, que sonha estudar Arquitetura.

Cidade de Deus

Felipe da Silva Feijó, 18, candidato a uma vaga de Engenharia Mecatrônica, conta que na Cidade de Deus “você nunca sabe o que vai acontecer. Você pode acordar e não conseguir sair de casa. Fiquei vários dias sem conseguir ir ao cursinho”.

Ele completa: “Mas sei que sou privilegiado. Minha família me permite estudar e me preparar, então vou fazer a prova”, diz.

Em nota, a Polícia Militar do Rio de Janeiro disse que “reforçará o policiamento para garantir a paz durante o Enem”.

Na capital fluminense, segundo o Inep – órgão responsável pelo exame – mais de 170 mil estudantes vão fazer a prova.

Com informações do UOL