Buscador por doadores de sangues raros: sistema da USP ganha prêmio

Um trabalho premiado ajuda a encontrar mais rapidamente pessoas compatíveis, com sangues raros, para certos tipos de transfusão.
O sistema inovador é uma alternativa à metodologia convencional, que é cara, trabalhosa e lenta.
O buscador foi desenvolvido pela professora Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP, junto com outros colaboradores e instituições.
A ideia é padronizar uma estratégia molecular totalmente automatizada e economicamente vantajosa para procurar esses doadores.
A pesquisa
A pesquisa usou como base a constituição genética do sangue de cinco mil pessoas, cujas informações foram armazenadas em um software criado especialmente para o projeto.
O programa permite a rápida busca de doadores com tipos raros, minimizando os erros humanos, além de ser menos custoso.
As dificuldades enfrentadas, entretanto, foram grandes: conseguir recursos de implementação e complexidades técnicas para criar um processo completamente automatizado foram dois dos principais problemas citados por Ester e Carla Dinardo, uma de suas colaboradoras.
Os resultados do estudo foram tão importantes e inovadores que renderam ao grupo a terceira colocação na décima sexta edição do Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS.
A premiação existe desde 2002 e tem como premissa incentivar a comunidade científica e valorizar tanto os pesquisadores quanto suas pesquisas, que são imprescindíveis para o desenvolvimento das políticas públicas de saúde no Brasil.
O tema de busca por doadores é extremamente relevante para a prática de transfusão sanguínea, e pode afetar as vidas de milhares de pessoas.
Segundo Carla, os pesquisadores dependem agora do fomento governamental para prosseguir com a estratégia criada e expandir o banco de doadores para melhor atender às necessidades dos pacientes.
Como
O sistema foi desenvolvido para pessoas que precisam de transfusão sanguínea, como vítimas de acidentes e portadores de doenças renais, leucemia e anemia.
Na maioria dos casos, apenas o fenótipo básico do sangue, que conhecemos como tipos sanguíneos (A, B, AB e O), e seu fator RH (se positivo ou negativo) são relevantes para verificar a compatibilidade sanguínea do doador com o receptor.
Porém, alguns dos pacientes que precisam de terapia de transfusão sanguínea como rotina, sobretudo aqueles com anemia falciforme (doença que afeta o formato das células vermelhas do sangue, os eritrócitos), podem desenvolver anticorpos contra substâncias existentes nas células sanguíneas de grande parte da população.
Esse processo faz com que o sistema imunológico do receptor da doação ataque as células sanguíneas do doador que estão presentes em seu corpo, inutilizando o sangue recebido.
Quando isso ocorre, apenas uma pequena parcela de pessoas (inferior a 0,01% do total) pode doar sangue a esses pacientes. No entanto, pode ser difícil diferenciar essa parte das pessoas, com fenótipo eritrocitário raro, de todo o resto.
O estudo Padronização de estratégia molecular custo-efetiva para rastreamento de fenótipos eritrocitários e plaquetários raros em doadores de sangue visando à organização de banco de doadores raros no Estado de São Paulo foi feito em parceria com a Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo e o Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor da USP.
A autoria, além de Ester Cerdeira Sabino, é de Carla Luana Dinardo, Juliana Vieira Bianchi, Ingrid H. Ribeiro, Márcia Regina Dezan, Valéria Brito Oliveira, Francisco C. A. Gomes, José E. Krieger, Alexandre Costa Pereira, Hadassa Campos Santos, Helves Domingues, Vanderson Geraldo Rocha e Alfredo Mendrone-Júnior.
Com informações do JornaDaUSP

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