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Idosas aprendem boxe, recuperam força e autoestima: “Parece que tenho 15 anos”

Lorena Fassina
03 / 08 / 2026 às 10 : 02
Idosas aprendem boxe no projeto Geração Nocaute, em São Paulo (SP).
Idosas aprendem boxe no projeto Geração Nocaute, em São Paulo (SP).

Idosas aprendem boxe em um projeto social de São Paulo e estão recuperando força, autoestima e qualidade de vida. Entre elas está a sergipana Maria Alaíde, conhecida como dona Azul, de 73 anos, que diz ter encontrado um novo propósito depois de começar a treinar.

As aulas acontecem duas vezes por semana, no bairro do Bixiga, na capital paulista, e já transformaram a rotina de dezenas de mulheres. O projeto Geração Nocaute foi criado justamente para combater a solidão e incentivar um envelhecimento mais ativo e saudável.

“Mudou tudo na minha vida. Sou outra mulher, parece que tenho 15 anos. Tenho mais força, mais coragem, mais ânimo”, contou dona Azul em entrevista à Folha de S.Paulo. A idosa, que nunca imaginou aprender boxe aos 73 anos, diz que a modalidade devolveu disposição para trabalhar e viver. Veja o vídeo abaixo.

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Muito além dos socos

A iniciativa nasceu de uma parceria entre a Associação de Mulheres Unidos Venceremos (Amuv) e a Casa Mestre Ananias. Antes de colocar o projeto em prática, o professor Wellinton Souza conversou com moradores e movimentos sociais do Bixiga para entender quais eram as maiores dificuldades enfrentadas pelos idosos da região.

O levantamento mostrou que dois problemas apareciam com frequência: a solidão e a falta de atividade física. Foi a partir dessa realidade que nasceu o Geração Nocaute.

“Apesar de ser um bairro central e muito movimentado, a gente tem uma população grande de idosos que não é enxergada porque não está transitando pelas ruas”, explicou Wellinton à Folha.

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Dores diminuíram e confiança aumentou

Dona Azul começou a frequentar as aulas há pouco mais de um ano e diz que a mudança foi surpreendente.

Além de ganhar mais disposição para o trabalho como cuidadora de idosos, ela afirma que as dores causadas pela artrite e pela artrose diminuíram significativamente. “Nas mãos, os dedos estavam ficando tortos. Já não estão mais. Tem um defeitozinho, mas é bem menos”, contou.

O Wellinton disse que praticamente todas as alunas apresentaram melhora na coordenação motora, no equilíbrio, na postura e na mobilidade.

Benefícios também para o cérebro

O boxe exige movimentos pouco comuns no dia a dia, como recuar, manter a guarda alta e trabalhar os dois lados do corpo. Essa combinação estimula tanto a musculatura quanto o cérebro.

O profissional de educação física Rondinei Silva Lima, coordenador do Grupo de Interesse em Atividade Física e Longevidade da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), disse a Folha que o boxe é uma atividade bastante completa. “O processo de envelhecimento vem com a diminuição da força, da agilidade e do condicionamento físico. O boxe traz ganhos em todas essas aptidões”, afirmou.

E lembra ainda que as aulas em grupo têm um impacto importante na saúde mental, pois reduzem o isolamento social e aumentam a sensação de pertencimento.

“Se parar, morre”

A confiança das alunas cresceu tanto que elas chegaram a participar de um campeonato de boxe ao lado de atletas experientes. Apesar do nervosismo, dona Azul entrou no ringue determinada.

“Pensei: vou meter o pau. Se ela quebrar a minha cara, eu vou quebrar a cara dela”, brincou, arrancando risadas.

Hoje, aos 73 anos, ela incentiva outras pessoas da mesma idade a não desistirem de descobrir coisas novas: “Não adianta ficar dentro de casa fazendo crochê. Não, minha filha, não pode parar, não. Se parar, morre”, concluiu.

Veja o vídeo das idosas que aprendem a lutar boxe e recuperam força e autoestima: 

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