Idosas aprendem boxe, recuperam força e autoestima: “Parece que tenho 15 anos”

Idosas aprendem boxe em um projeto social de São Paulo e estão recuperando força, autoestima e qualidade de vida. Entre elas está a sergipana Maria Alaíde, conhecida como dona Azul, de 73 anos, que diz ter encontrado um novo propósito depois de começar a treinar.
As aulas acontecem duas vezes por semana, no bairro do Bixiga, na capital paulista, e já transformaram a rotina de dezenas de mulheres. O projeto Geração Nocaute foi criado justamente para combater a solidão e incentivar um envelhecimento mais ativo e saudável.
“Mudou tudo na minha vida. Sou outra mulher, parece que tenho 15 anos. Tenho mais força, mais coragem, mais ânimo”, contou dona Azul em entrevista à Folha de S.Paulo. A idosa, que nunca imaginou aprender boxe aos 73 anos, diz que a modalidade devolveu disposição para trabalhar e viver. Veja o vídeo abaixo.
Muito além dos socos
A iniciativa nasceu de uma parceria entre a Associação de Mulheres Unidos Venceremos (Amuv) e a Casa Mestre Ananias. Antes de colocar o projeto em prática, o professor Wellinton Souza conversou com moradores e movimentos sociais do Bixiga para entender quais eram as maiores dificuldades enfrentadas pelos idosos da região.
O levantamento mostrou que dois problemas apareciam com frequência: a solidão e a falta de atividade física. Foi a partir dessa realidade que nasceu o Geração Nocaute.
“Apesar de ser um bairro central e muito movimentado, a gente tem uma população grande de idosos que não é enxergada porque não está transitando pelas ruas”, explicou Wellinton à Folha.
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Dores diminuíram e confiança aumentou
Dona Azul começou a frequentar as aulas há pouco mais de um ano e diz que a mudança foi surpreendente.
Além de ganhar mais disposição para o trabalho como cuidadora de idosos, ela afirma que as dores causadas pela artrite e pela artrose diminuíram significativamente. “Nas mãos, os dedos estavam ficando tortos. Já não estão mais. Tem um defeitozinho, mas é bem menos”, contou.
O Wellinton disse que praticamente todas as alunas apresentaram melhora na coordenação motora, no equilíbrio, na postura e na mobilidade.
Benefícios também para o cérebro
O boxe exige movimentos pouco comuns no dia a dia, como recuar, manter a guarda alta e trabalhar os dois lados do corpo. Essa combinação estimula tanto a musculatura quanto o cérebro.
O profissional de educação física Rondinei Silva Lima, coordenador do Grupo de Interesse em Atividade Física e Longevidade da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), disse a Folha que o boxe é uma atividade bastante completa. “O processo de envelhecimento vem com a diminuição da força, da agilidade e do condicionamento físico. O boxe traz ganhos em todas essas aptidões”, afirmou.
E lembra ainda que as aulas em grupo têm um impacto importante na saúde mental, pois reduzem o isolamento social e aumentam a sensação de pertencimento.
“Se parar, morre”
A confiança das alunas cresceu tanto que elas chegaram a participar de um campeonato de boxe ao lado de atletas experientes. Apesar do nervosismo, dona Azul entrou no ringue determinada.
“Pensei: vou meter o pau. Se ela quebrar a minha cara, eu vou quebrar a cara dela”, brincou, arrancando risadas.
Hoje, aos 73 anos, ela incentiva outras pessoas da mesma idade a não desistirem de descobrir coisas novas: “Não adianta ficar dentro de casa fazendo crochê. Não, minha filha, não pode parar, não. Se parar, morre”, concluiu.
Veja o vídeo das idosas que aprendem a lutar boxe e recuperam força e autoestima:
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