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Células da mãe podem permanecer no corpo dos filhos por décadas, mostra ciência

Rinaldo de Oliveira
18 / 09 / 2026 às 10 : 56
Fenômeno chamado microquimerismo materno começa ainda na gravidez e pode deixar pequenas populações de células da mãe no corpo dos filhos até a vida adulta. - Foto: shutterstock
Fenômeno chamado microquimerismo materno começa ainda na gravidez e pode deixar pequenas populações de células da mãe no corpo dos filhos até a vida adulta. - Foto: shutterstock

Carregamos, sim, um “pedacinho” da nossa mãe. Estudos comprovam que as células da mãe podem permanecer no corpo dos filhos por décadas. Durante a gravidez, elas atravessam a placenta, entram no organismo do bebê e ficam lá até a fase adulta. Esse fenômeno, chamado microquimerismo materno, chamou a atenção em duas revisões científicas.

Uma delas saiu no último dia 9 de setembro na revista Clinical Science. A outra foi publicada em 31 de agosto no American Journal of Reproductive Immunology e analisou especialmente o que acontece no cérebro. Ou seja:

Os cientista agora tentam entender exatamente o que essas células fazem no organismo humano porque foram detectadas em órgãos como pulmões, rins, fígado, coração e cérebro.

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Células ficam por décadas

A troca acontece nos dois sentidos durante a gestação. Células do bebê podem entrar no corpo da mãe e células maternas podem atravessar a placenta e chegar ao feto. No caso das células que passam da mãe para o filho, algumas não desaparecem depois do nascimento.

Em um estudo publicado no Journal of Clinical Investigation ainda em 1999, pesquisadores encontraram material celular de origem materna em pessoas saudáveis e em pacientes adultos.

Entre aqueles em que o microquimerismo foi identificado, havia participantes de até 49 anos.

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Chegam ao cérebro

O cérebro é uma das áreas que mais despertam interesse dos pesquisadores.

Um estudo publicado em 2020 identificou células consideradas de origem materna em amostras de cérebro de homens adultos, inclusive em pessoas sem esclerose múltipla. Algumas apresentavam características de células neuronais e outras de células do sistema imunológico.

Agora, uma revisão publicada em agosto de 2026 reuniu trabalhos sobre essa presença de células geneticamente diferentes no cérebro e destacou que ainda faltam estudos para determinar quais consequências isso pode ter para a saúde.

Pode ajudar o sistema imunológico

Outro campo estudado é o sistema imunológico.

A revisão publicada neste mês na Clinical Science aponta que células maternas podem participar da maturação do sistema imunológico dos filhos e da defesa contra infecções. Ao mesmo tempo, pesquisadores investigam possíveis relações com doenças inflamatórias e autoimunes em algumas pessoas.

Por isso, os cientistas ainda não classificam essas células simplesmente como benéficas ou prejudiciais. A função delas pode variar conforme o tecido, a idade e outras características de cada pessoa.

E nada de “para sempre”

Nas redes sociais, publicações sobre o assunto costumam afirmar que as células da mãe permanecem no filho “para sempre”. A ciência não chegou a essa conclusão.

O que os estudos demonstram é que pequenas populações de células maternas podem sobreviver por muitos anos e chegar à vida adulta.

O fenômeno é conhecido há décadas, mas novas pesquisas continuam tentando descobrir qual é a função dessas células e até que ponto elas interferem no organismo.

Fenômeno chamado microquimerismo materno começa ainda na gravidez e pode deixar pequenas populações de células da mãe no organismo dos filhos até a vida adulta. - Foto: shutterstock
Fenômeno chamado microquimerismo materno começa ainda na gravidez e pode deixar pequenas populações de células da mãe no corpo dos filhos até a vida adulta. – Foto: shutterstock
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