Deputados suíços ganham menos que professor. #AprendeBrasil

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Foto: Reprodução RTS
Foto: Reprodução RTS

Sem privilégios e nada de salários fora da realidade. Deputados suíços ganham menos que um professor.

Sim, é isso mesmo! O salário de parlamentar em Genebra é inferior ao de um professor. E também não existe auxílio-moradia para deputados.

Um exemplo é o do ex-presidente do Parlamento de Genebra, Guy Mettan, deputado por 18 anos consecutivos.

Ele chega à sede do Poder Legislativo do cantão suíço em sua moto scooter. Não tem carro oficial.

Ele também não tem uma vaga reservada em frente ao prédio histórico no centro da cidade.

Mettan confessa que vai ao trabalho com um motorista – o que conduz o ônibus público da cidade.

Os salários

Na melhor das hipóteses, um deputado em Genebra vai somar um salário anual de 50 mil francos suíços (o equivalente a R$ 172 mil), ou cerca de 4,1 mil francos por mês ( o equivalente a 14,1 mil reais por mês)

Isso se ele for o presidente do Parlamento e comparecer a todas às sessões.

O cálculo de quanto Mettan e todos os demais recebem a cada mês é feito por hora.

“Se você vem, você recebe. Se não, não recebe”, disse o deputado.

Ele conta que precisa assinar com seu próprio punho uma lista de presença a cada reunião.

Hoje o pagamento ao presidente do Parlamento de Genebra é inferior à média de um salário de um fabricante de queijo, menor que a renda de um mecânico de carros na Suíça, de uma secretária, de um policial, de um carpinteiro, de uma professora de jardim de infância, de um metalúrgico e de um motorista de caminhão.

Para um deputado “ordinário”, o salário é muito inferior ao do presidente do Parlamento.

Por ano, eles chegam a receber cerca de 30 mil francos suíços por ano (103,2 mil reais por ano, ou 8,6 mil reais por mês), o equivalente ao pagamento médio atribuído a um artista de circo ou a um ajudante de cozinha, postos ocupados em grande parte por imigrantes.

No Brasil, o salário de um deputado estadual chega a R$ 25.300 por mês em São Paulo, por exemplo.

Além disso, os parlamentares brasileiros têm direito a uma verba mensal, que pode superar R$ 30 mil, para custeio de gastos de alimentação, transporte, passagens aéreas e despesas de escritório.

Mettan explica que a função de deputado consome apenas 25% do seu tempo de trabalho e que, por conta do salário baixo, todos são orientados a manter seus empregos originais, mesmo depois de eleitos.

Sem aposentadoria

Ao final de quatro anos de mandato, os deputados não ganham aposentadoria, como aqui no Brasil.

Durante anos no “poder”, eles também não podem contratar parentes.

Sobre alimentação, os deputados ganham um voucher para fazer duas refeições por mês, cada uma no valor de 40 francos suíços (R$ 137,00).

“Dá para uma pizza e um copo de vinho”, brinca Guy Mettan.

Exemplo

A região é uma das mais ricas do mundo, tem uma taxa de desemprego de 5,3% e é um dos pilares de um sistema financeiro que guarda em seus cofres trilhões de dólares.

Genebra, de forma insistente, entra em todas as listas das cidades mais caras do mundo há anos.

Mas, para não atrapalhar o emprego dos cem representantes do povo, as sessões do Parlamento são todas organizadas no final da tarde, quando o expediente já terminou.

Apenas o presidente do Parlamento tem o direito de usar um veículo oficial, caso esteja indo a um evento também oficial na condição de presidente da Câmara e não a título pessoal.

Por ideologia

“Na Suíça, a política é considerada como um envolvimento popular”, explicou.

“É um sistema de milícia. Ou seja, não é um sistema profissional. Somos obrigados a ter um emprego paralelo, de ter uma profissão paralela. Não se pode viver com essa indenização”, admitiu o deputado suíço.

“Não existe deputado profissional”, completou ele.

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Com informações do Estadão