Inpa faz a maior soltura de peixes-bois da história na Amazônia

Profissionais do Inpa, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, fizeram a maior soltura de peixes-bois da história do Brasil.
O Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia devolveu aos rios 22 animais que chegaram ao instituto filhotes e órfãos, porque tiveram as mães capturadas e mortas por caçadores.
Nos tanques do Bosque da Ciência do Inpa eles foram alimentados, acompanhados por veterinários, técnicos, tratadores e ficaram de 3 a 6 anos no cativeiro, para crescerem com segurança.
Agora crescidos, eles foram retirados do lago do semicativeiro, que fica no Município de Manacapuru (a 84 km de distância de Manaus) e transportados para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu Purus, no Rio Purus.
Megaoperação
A megaoperação que começou no dia 31 de março e terminou esta semana.
Pelo menos 30 profissionais participaram, entre biólogos, veterinários, tratadores e técnicos do Inpa e profissionais convidados vindos do Japão e do Aquário de São Paulo – parceiros do projeto – do Peru, do Centro de Mamíferos Aquáticos do ICMBio (Santos-SP), Universidade Federal de Londrina e o Centro de Mamíferos Aquáticos de Preservação de Balbina (AM).
O programa atua em parceria com o Projeto Museu na Floresta, uma cooperação científica entre o Inpa e a Universidade de Kyoto (Japão), e a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa).
Também apoiam o programa a Agência de Cooperação Internacional (Jica), a Mistsuba e a Itochu.
A proposta é que a própria comunidade ajude no monitoramento dos novos moradores, evitando possíveis caçadores pelas redondezas.
Antes de serem soltos, os animais foram recepcionados pela comunidade de Itapuru, onde dezenas de crianças aguardavam ansiosamente com cartazes e músicas de boas-vindas.
Segurança
“Foi verificado que os animais estão aptos a sobreviverem sozinhos na natureza”, disse a coordenadora do projeto, a pesquisadora do Inpa Vera Silva, baseada em pesquisas anteriores.
Outro êxito do trabalho é a volta do peixe-boi fêmea Anori (nome do município em que foi resgatada) estar voltando ao local de origem.
A pesquisadora acrescenta que desde o início do projeto, em 1974, quando o Instituto recebeu o primeiro peixe-boi, a ideia sempre foi de reabilitar e conduzir os animais de volta ao seu habitat.
Ainda para este ano de 2018, a expectativa é que 15 peixes-bois sejam transferidos do Inpa, onde há mais de 50 animais, para o semicativeiro em Manacapuru.
Para 2019-2020, o objetivo é que mais 20 peixes-bois sejam reintroduzidos na RDS Piagaçu-Purus, e no mesmo período fazer a translocação de 25 animais do cativeiro do Inpa para o semicativeiro em Manacapuru.
Com informações do Inpa

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