Remédio experimental contra Lúpus tem 47% de sucesso em humanos

Esperança contra o Lúpus. Um novo medicamento experimental contra o lúpus eritematoso sitêmico teve bons resultados nos testes com humanos.
Dos 180 indivíduos que receberam o anifrolumabe, 47,8% responderam ao tratamento, que age inibindo a produção de interferon I, substância presente em quantidades anormais nos portadores do lúpus.
O estudo, patrocinado pela multinacional farmacêutica AstraZeneca, saiu na capa da edição desta quinta-feira, 16, do “The New England Journal of Medicine” (NEJM), uma das mais conceituadas publicações de medicina do mundo.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores de várias universidades, entre elas a Columbia, nos Estados Unidos, a de Manchester, no Reino Unido, e a de Monash, em Melbourne, na Austrália.
O Lúpus é uma doença autoimune que pode levar à morte. Ela atinge quase cinco milhões de pessoas no planeta – 65 mil no Brasil.
Melhora
No ensaio clínico de fase 3, que avalia eficácia, pacientes que sofriam com sintomas característicos da doença, como manchas avermelhadas em forma de borboleta nas maçãs do rosto, artrite, febre e fadiga, apresentaram melhora após um ano de tratamento à base de anifrolumabe, um anticorpo de origem humana produzido em laboratório.
O interferon I, presente nos portadores da doença é uma proteína gerada naturalmente pelo corpo para combater a proliferação de agentes patogênicos.
O anifrolumabe se liga ao receptor do interferon, restringindo a presença dele no organismo. Por ser especializado em inibir um agente específico — neste caso, o interferon I —, o anifrolumabe é considerado um anticorpo “monoclonal”, produzido a partir da clonagem de uma única cópia.
“Como o lúpus é uma doença com mecanismos patogênicos, que variam de paciente para paciente, aqueles onde o interferon tem papel importante têm mais chance de responder ao anifrolumabe”, afirma Luiz Carlos Latorre, que faz parte da Comissão de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).
Efeitos adversos
Infelizmente o remédio não funcionou igualmente para todos os pacientes e por isso precisará de ser aprimorado.
Segundo o artigo, 7,2% dos pacientes que receberam o remédio apresentaram herpes zóster, e 12,2% apresentaram bronquite. Uma pessoa morreu de pneumonia durante o tratamento.
Para o médico, ainda não se pode dizer que o anifrolumabe é uma alternativa prática aos tratamentos já existentes porque a doença se manifesta em cada organismo de uma maneira particular.
“É claro que essa via terapêutica tem sua importância, porém mais estudos deverão ser realizados até a sua aprovação. Seguramente, poderá ser uma nova opção terapêutica, mas ainda está longe de ser medicamento utilizável em todos os pacientes”, concluiu.
Com informações de OGlobo
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