Montadora não deixa morrer Carnaval folclórico de comunidades de PE

Bloco Caboclinho União Sete Fechas - Foto: Hesíodo Gomes/FCABloco Caboclinho União Sete Fechas - Foto: Hesíodo Gomes/FCA

A cultura e os costumes de um povo precisam de estímulo para não morrerem soterrados pelas novas modas divulgadas em massa pela mídia. Um exemplo é o Carnaval folclórico, de pequenas comunidades, que passa de pai para filho, atravessa gerações e vai se perdendo com o tempo.

Agora, algumas dessas tradições carnavalescas, de pequenas agremiações, estão com o presente e o futuro garantidos em Pernambuco.

Além de patrocinar o famoso Galo da Madrugada, de Recife, a Jeep, do Grupo FCA – Fiat Chrysler Automóveis – abraçou agremiações culturais da Zona da Mata Norte, no entorno da fábrica mais moderna da montadora, em Goiana, região rica em cultura popular. (vídeo abaixo)

“Nós estamos investindo este ano em 14 grupos – maracatus, caboclinho da Zona da Mata Norte – para empoderar essas comunidades para que possam brincar o carnaval com mais orgulho… e dar condições para a manutenção dessas expressões ricas e importantes para a história dessa região”, disse ao SóNotíciaBoa Fernão Silveira, Diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Fiat Chrysler Automóveis para a América Latina.

Pretinhas do Congo

Visitamos o bloco As Pretinhas do Congo (fotos abaixo), criado em 1930 para mostrar à sociedade que havia uma comunidade negra em Goiana, um dos que receberam apoio da Jeep.

A brincadeira foi assumida em 1935 por Antônio Manoel dos Santos, conhecido por “Pirrixiu”, um brasileiro que gostava muito de Carnaval.

Quando ele morreu, a filha dele, Maria do Carmo Monteiro, mais conhecida como Dona Carminha, assumiu a preparação e o desfile das Pretinhas do Congo até 2014, quando faleceu.

Hoje quem toma conta das Pretinhas do Congo de Carne de Vaca, com muita dificuldade financeira para manter a tradição, é a filha dela, Iracema e sua neta, Rafaela.

O bloco desfila com apenas 35 pessoas.

Agora, com o apoio recebido, as Pretinhas do Congo voltam a ganhar corpo: elas terão oficinas para aprender a produzir as próprias fantasias para a comunidade, mais o básico necessário para o desfile.

Para o movimento de 90 carnavais não se perder na história, também serão registrados letras e músicas, figurinos, coreografias, fora a organização jurídica e fiscal do bloco.

Capacitação

A ajuda vem com educação e treinamento do pessoal com o Manoelzinho Salustiano, um Mestre do Bordado e da confecção de Estandartes.

“Eles são capacitados, treinados em oficinas de bordado que daqui a 4, 5 anos, quando um estandarte não puder mais ser usado, eles poderão fazer os próprios. Eles aprendem com um dos mais renomados mestres de bordados de Pernambuco. E também tem uma oficina de gaita, que parece uma flauta, um dos instrumentos principais dentro desses grupos folclóricos, na qual eles aprendem a fazer as próprias gaitas com materiais recicláveis e aprender a tocar. E oficinas para melhorar as habilidades musicais que eles têm. Isso ajuda no empoderamento dessas comunidades”, lembra Fernão.

“E essa ajuda vai impedir que a tradição quase centenária caia no esquecimento e que o jovem da região mantenha a identidade dele, mesmo após trocar as plantações de cana de Goiana pela formação e emprego na moderna fábrica de automóveis, disse Osmar Barbalho, consultor cultural responsável pelo projeto.

“Capacitando a comunidade a fazer, a gente deixa um conhecimento, ajuda a manter um legado, aumenta o senso de pertencimento, senso de orgulho, para que esses blocos se preparem para o carnaval do ano que vem e estejam mais preparados e equipados para brincar. E este ano quem está se beneficiando são os blocos que a gente trabalhou no ano passado”, diz Fernão.

Caboclinho União Sete Flechas de Goiana

Conhecemos também a comunidade que faz o Carnaval do Caboclinho União Sete Fechas, de Goiana. (foto  e vídeo abaixo)

Entra a noite, a vizinhança sai de casa e o ensaio começa.

Os instrumentistas ficam na calçada, enquanto jovens adultos e crianças desfilam organizados no meio da rua.

Com arco e fecha estilizados eles dançam num compasso indígena.

O ritmo típico é empolgante e a música marcante vem de um flauta feita de PVC.

Raízes vivas

“O importante desse projeto é o fomento. Essas brincadeiras não estão desaparecidas, mas precisam ser fomentadas para serem empoderadas e dizerem ‘eu existo’. Como? Ensinando a se requalificarem, fazendo bordado nos estandartes, ensinando a tocar gaita, instrumento fundamental [nesse carnaval] e revitalizando as Pretinhas do Congo.”, lembra Osmar.

Perguntamos ao diretor da FCA “o que montadora ganha com isso?”

“A gente ganha muita coisa: em cumprir a nossa missão como cidadão corporativo, que está presente nessa comunidade, que cresceu à base da monocultura de cana-de-açúcar e hoje abriga um polo automotivo Jeep e cerca de 30 fornecedores, que mudaram o perfil econômico daquela área. No fim das contas, nos projetos de educação e de cultura, a gente tá olhando para uma potencial mão de obra pra gente, no futuro e no presente… Isso é cidadania corporativa”, concluiu Fernão Silveira.

Veja dois dos ensaios que acompanhamos:

O futuro do bloco das Pretinhas - Foto: Fábio Alexandre / FCA

O futuro do bloco das Pretinhas do Congo – Foto: Fábio Alexandre / FCA

Rafalea, Filha de dona Iracema - Pretinhas - Foto: Fábio / FCA

Rafalea, Filha de dona Iracema – Pretinhas do Congo – Foto: Fábio / FCA

A rainha do bloco das Pretinhas - Foto: Fábio / FCA

A rainha do bloco das Pretinhas do Congo – Foto: Fábio / FCA

Ensaio do bloco Pretinhas - Foto: Fabio / FCA

Ensaio do bloco Pretinhas do Congo – Foto: Fabio / FCA

Bloco Caboclinho União Sete Fechas - Foto: Hesíodo Gomes/FCA

Bloco Caboclinho União Sete Fechas – Foto: Hesíodo Gomes/FCA

Por Rinaldo de Oliveira, de Goiana/PE – viagem à convite da FCA

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