Doméstica que era tratada como escrava estuda com neto na quarentena

Agarrar oportunidades! doméstica Maria Lopes está aproveitando a quarenta para estudar com o neto. Eles estudam juntos na favela do Morro do Papagaio, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Maria, de 59 anos, está na 3ª série do ensino fundamental no EJA – Educação de Jovens e Adultos – e Brian, de 10 anos, está duas séries à frente da avó.
Como as aulas nas escolas estão suspensas por causa da Covid, duas vezes por semana, os dois fazem as tarefas escolares com a ajuda de uma vizinha de bairro. Com máscaras e álcool em gel eles vão até a casa da jornalista Gláucia Carvalhaes, que mora em um bairro próximo.
Ela os conheceu por meio do líder comunitário do Morro do Papagaio, Júlio Fessô, e agora os orienta a fazer as tarefas.
“É muito bom ajudar, principalmente pela vontade de aprender dos dois”, disse a jornalista ao G1.
Escrava
Estudar é o melhor desafio para Maria Lopes, que é empregada doméstica. Ela lembra que, quando criança, era obrigada a trabalhar na casa da família onde foi criada, em Berilo, no Vale do Jequitinhonha.
Maria foi abandonada lá pelo pai aos 6 anos de idade. Ela nunca conheceu a mãe, nem sabe se tem parentes vivos.
“Eu era uma escrava, né? Eu via os meninos da casa indo para escola e pedia para ir também. Diziam que eu tinha que trabalhar, lavar roupa, cozinhar”, contou.
Ao se tornar adulta, foi para Belo Horizonte na tentativa de melhorar de vida. Teve três filhos, um deles, o pai de Brian, que morreu.
“Brian e eu temos uma ligação muito forte. Um dia, a mãe dele trouxe ele para me visitar e o menino não quis mais ir embora. Somos só nós dois”, disse Maria.
Delícias da vida
Agora, avó e neto estudam juntos.
Os dois também passam o tempo dividindo as delícias que Maria prepara na cozinha.
“A gente continua em casa, de quarentena, comendo e engordando (risos)”, contou a avó.
Com informações do G1

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