PMs pagam compras de meninas que não tinham o que comer em casa

Dois PMs foram atender a um outro chamado quando viram duas meninas de 11 anos, franzinas, sozinhas, num supermercado.
Eles estranharam as crianças estarem sem um responsável junto e perguntaram para a gerente da loja. Foi quando descobriram que as meninas estavam pedindo comida aos clientes porque estavam com fome não tinham o que comer dentro de casa. O café da manhã das duas havia sido um mingau ralo de fubá com açúcar.
Sara e Rayevilly da Silva mentiram para a avó que iam na esquina comprar pão e andaram 4 km até o supermercado para pedir ajuda dos clientes, porque na geladeira quebrada da casa não havia nem água pra beber.
Elas são de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro e queriam que alguém pagasse alimentos para a família fazer o almoço.
As meninas colocaram num carrinho: arroz, feijão, carne seca, café, goiabada, chocolate e um par de chinelos.
A ajuda
A cena triste aconteceu no final do ano e tocou o coração dos dois policiais militares do 27º BPM (Santa Cruz): o sargento Alexandre Alves Henriques, de 48 anos, há 20 na corporação, e o cabo Giresse de Souza Cândido, de 33, há seis na PM.
A gerente do mercado contou aos policiais que as crianças estavam pedindo para os clientes pagarem a compra delas e que não sabia como lidar com a situação.
Eles foram conversar com as meninas e perguntaram onde estavam os pais delas.
Rayevilly pediu para conversar a sós e revelou ao policial que a família tinha vindo de João Pessoa, na Paraíba, fugindo do pai da outra menina, que era violento e ameaçava a família.
A avó, com medo, decidiu fugir para o Rio de Janeiro.
Comovidos com a situação, os dois policiais pagaram pelas comprar o valor de R$ 187,00, que foi dividida com a gerente, que também decidiu contribuir com a despesa.
“Fiquei chocado com que ouvi da menina. O que elas estavam comprando não era nada demais”, disse o PM Giresse.
A avó
Diante daquela situação, os policiais pegaram o endereço da avó das meninas e foram até lá, enquanto as crianças ficaram com a gerente da loja.
“Encontrei Dona Maria do Rosário [62 anos] com outros netos, a filha e o genro. Todo mundo morando numa casa apertada. Isso me tocou muito. A gente reclama da vida, mas tem pessoas em pior situação que a nossa, sem ter o que comer!”, disse o cabo Giresse de Souza Cândido.
A polícia levou a avó até o mercado para buscar as netas e juntas elas levaram as mercadorias pra casa.
Fome
O sargento Alexandre ficou sensibilidade com a pobreza extrema que viu naquela casa.
“Comer mingau de fubá com açúcar e não ter a expectativa de outra refeição é muito triste”, disse.
Ele contou que 10 pessoas moraram na cada de um quarto, sala, cozinha e banheiro, sendo seis delas crianças. Todos os adultos estão desempregados.
“A matriarca sobrevive com o que recebe do auxílio de R$ 600 do governo federal, do qual tira R$ 500 para o aluguel, que está atrasado um mês. Os R$ 100 restantes são para o gás e a alimentação”.
Esperança
A avó agradeceu pela ajuda e disse que o Ano Novo da família seria bem diferente do Natal.
“As meninas conseguiram trazer comida para a nossa ceia de fim de ano. No Natal só tivemos arroz com feijão. Agora sonho com todo mundo empregado, uma geladeira funcionado e uma cama”.
A boa ação do sargento Alexandre e o cabo Giresse rendeu aos dois um elogio no boletim da Polícia Militar publicado na semana passada.
Com informações do Extra

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