Depois de sentir a perna, jovem que recebeu polilaminina agora conseguiu mexer o dedo; vídeo

Outra vitória! O jovem Luiz Otávio Santos Nunes, que ficou tetraplégico, primeiro sentiu a perna e agora conseguiu mexer a ponta do dedo da mão esquerda, após a aplicação da polilaminina, proteína estudada há 25 anos pela bióloga brasileira Tatiana Sampaio, da UFRJ.
E isso aconteceu 12 dias após a aplicação da injeção, no Hospital Militar de Campo Grande, com autorização da justiça. E Luiz Otávio, de 19 anos, mostrou a nova conquista em vídeo compartilhado no perfil dele no Instagram, que está emocionando muita gente.
“A ponta do dedo não [mexia]. Ele ficava reto assim, só os outros três fechavam na mão. Agora a ponta do dedo já ta indo”, conta Luiz Otávio enquanto movimenta a mão esquerda. Ele recebeu a injeção de polilaminina na medula 3 meses após o acidente com arma de fogo que o deixou tetraplégico, em outubro do ano passado.
O acidente
Luiz Otávio, militar do Exército Brasileiro, é o paciente mais jovem a receber o tratamento experimental. No mês passado, o Só Notícia Boa mostrou quando o jovem vibrou por ter conseguido sentir novamente o músculo da perna.
“O Luiz sofreu uma lesão traumática que acometeu a medula espinhal, na região da vértebra C6, o que gerou a tetraplegia. Fizemos diversas análises e injetamos a polilaminina abaixo e acima da lesão”, explica o neurocirurgião.
Hoje, com esperança renovada, ele defende a aprovação da polilaminina: “Espero que seja aprovado porque depois que sofri o acidente, por mais que eu acreditasse que voltaria a andar, ainda era difícil e, depois que recebi a proteína a esperança mudou”, afirmou.
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O que é a polilaminina
A polilaminina, estudada há 25 anos pela bióloga brasileira Tatiana Sampaio, da UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente na placenta humana. Ela ajuda os neurônios a se conectarem.
Em lesões na medula, como na do Luiz Otávio, os sinais elétricos do cérebro deixam de chegar ao corpo porque as fibras nervosas são rompidas. Aí, a polilaminina entra em ação para ajudar essas fibras a crescerem novamente e restabelecer parte da comunicação.
Ela é aplicada como injeção intramedular, ou seja, direto na medula para que ocorra o efeito de regeneração no local lesionado.
Tempo para aplicação da polilaminina
O protocolo do estudo da UFRJ, em parceria com o laboratório Cristália, prevê a aplicação da polilaminina em até 72 horas após a lesão medular, período classificado como janela terapêutica.
Mas no caso do Luiz Otávio ela foi aplicada 110 dias depois e mesmo assim está tendo resultados, tímidos, mas está.
“Ainda são estudos e o que posso dizer é que quando uma lesão é crônica, com mais de três, quatro meses, a dificuldade [de regeneração] é maior por conta de todo o processo patológico”, disse a bióloga Tatiana Sampaio.
Aprovação da Anvisa
Para chegar aos hospitais, o medicamento precisa passar pelas 3 fases de testes da Anvisa.
Na fase 1, que está em andamento, a pesquisa vai analisar a segurança do medicamento com ensaios regulatórios em humanos.
Nas fases 2 e 3, será avaliada a eficácia e depois as doses adequadas e os efeitos adversos em populações maiores.
Se passar, aí sim, será solicitado o registro sanitário, para que a polilaminina possa ser comercializada em todo o Brasil.
Assista ao vídeo do rapaz que recebeu polilaminina e conseguiu mexer a ponta do dedo da mão:
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