Polilaminina: neurologista de SP com lesão na coluna diz como está melhorando

O neurologista Vicente José Schiavão, de 69 anos, morador de Avaré, no interior de São Paulo, contou que teve melhora gradual após receber polilaminina para tratar uma lesão na coluna. A substância foi aplicada por meio de uso compassivo, autorizado por decisão judicial.
Duas semanas após a aplicação, ele afirma ter retomado parte da sensibilidade e observado movimentos discretos no pé direito, o que considera uma grande vitória dentro de um processo ainda em observação.
A lesão ocorreu enquanto ele dormia e resultou na perda de movimentos e de sensibilidade da cintura para baixo. Com quatro décadas de atuação médica, a maior parte dedicada à neurologia, Vicente acompanha a própria evolução e pede cautela e atenção aos limites do tratamento.
A lesão
Vicente sofreu uma fratura espontânea na coluna que comprometeu a medula espinhal. O quadro levou à perda de sensibilidade e de movimentos nos membros inferiores. Diante da ausência de alternativas terapêuticas consolidadas, ele buscou o uso da polilaminina por via judicial.
A substância foi aplicada em 13 de janeiro, após autorização da Justiça e a aceitação da Anvisa. Desde então, o médico utiliza muletas para locomoção e segue acompanhamento clínico e fisioterapêutico.
Segundo ele, o histórico prévio de paralisia infantil, ocorrido aos dois anos de idade e responsável pela limitação na perna esquerda, não tem relação com o trauma recente e não interfere na sensibilidade atual.
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O que é a polilaminina
A polilaminina é uma substância desenvolvida por uma equipe liderada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O produto está em fase de testes clínicos e ainda não teve eficácia e segurança certificadas pela Anvisa.
O laboratório Cristália é o parceiro responsável pela produção da substância. A empresa informa que não comercializa a polilaminina e que o fornecimento para os casos autorizados ocorre sem cobrança, exclusivamente para uso em ambiente hospitalar.
Por ainda estar em estudo, o medicamento só pode ser utilizado em situações específicas, com avaliação médica e autorização dos órgãos competentes.
Melhoras observadas
Após a aplicação, Vicente contou que houve um retorno parcial da sensibilidade nas coxas e na parte posterior das pernas, além da percepção de contração nos glúteos. Ele também afirma ter recuperado movimentos de flexão e extensão do pé direito.
“Duas semanas depois da aplicação, tive melhoras muito favoráveis, mas discretas”, contou ao Tribuna Online.
Segundo ele, houve também início do controle das fezes, enquanto o controle urinário ainda não retornou. A única reação adversa percebida foi uma sensação leve de calor logo após o procedimento.
O neurologista também explicou que o organismo pode apresentar alguma recuperação espontânea após um trauma medular, geralmente de forma lenta, o que dificulta atribuir os efeitos exclusivamente à substância.
Avaliação médica
Mesmo observando sinais positivos, Vicente defende prudência na análise dos resultados. Ele afirma não ser possível garantir que as melhoras estejam diretamente relacionadas à polilaminina, embora considere a evolução compatível com um possível efeito do produto.
“É difícil afirmar isso de forma categórica”, diz. Para ele, a ampliação do número de pacientes nas próximas fases da pesquisa clínica será fundamental para conclusões mais consistentes e para o mapeamento de eventuais efeitos colaterais.
O médico também aponta que fatores como idade, rapidez na aplicação, acesso à fisioterapia e condição clínica geral podem influenciar os resultados do tratamento.
Ações judiciais
Até o momento, 34 liminares autorizaram o uso compassivo da polilaminina em diferentes regiões do país. Apenas casos classificados como subagudos, com até três meses após o trauma, têm sido atendidos.
Desde o anúncio da substância, no fim do ano passado, 18 pessoas já receberam a aplicação por determinação judicial. Segundo o grupo de pesquisa, não houve registro de reações adversas relevantes até agora.
Especialistas ouvidos pelos pesquisadores alertam que procedimentos em fase de estudos clínicos envolvem riscos ainda não totalmente conhecidos, que só podem ser identificados ao longo do desenvolvimento da pesquisa.

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